terça-feira, 8 de dezembro de 2009

Fraudes em Concursos Públicos

Tentativas de fraudes em concursos públicos são freqüentes em todo o país. A venda de supostos gabaritos e de falsas promessas de vagas garantidas é prática recorrente de pessoas que tentam obter vantagens de forma ilícita.

Em maio de 2005, numa mega-operação, a Polícia Civil do Distrito Federal, com apoio da Polícia Federal, desmontou um esquema de fraude em concursos públicos em todo o país. Foram expedidos 104 mandados de prisão no total. Entre os presos na Operação Galileu, policiais civis e militares, candidatos que compraram gabaritos, servidores públicos aprovados de forma ilegal, professores, advogados e 15 servidores do Tribunal de Justiça Federal do Distrito Federal.

Em julho de 2007, foram anuladas as provas do concurso da Câmara Municipal de São Paulo e refeitas em janeiro de 2008.

Quando são detectadas fraudes ou há suspeita de irregularidades no processo, a primeira providência a ser tomada é suspender as etapas subseqüentes do concurso até que a polícia e o Ministério Público concluam a apuração das denúncias. Se confirmada a fraude, as provas serão anuladas e será feito um novo concurso, mantendo-se o edital. A instituição organizadora comunica aos candidatos a nova data e em alguns casos, poderá até reabrir as inscrições. Mas a reabertura de inscrições não é regra, fica a critério do órgão público.

Mas como fugir de concursos “furados”? Esta é uma tarefa difícil. Conhecer a entidade organizadora é um começo. Se a instituição é séria, e reconhecida no meio, tem menor chance de acontecer qualquer irregularidade. Evitar concursos em que a própria instituição contratante organiza o certame e existe um número razoável de funcionários terceirizados. A possibilidade de fraude é grande, o concurso pode ser realizado apenas para legalização de pessoas contratadas sem concurso público.

Outra dica é procurar saber se o órgão público está realmente precisando de pessoal, se existem vagas ou apenas cadastro de reserva (os classificados só são chamados quando abrem vagas - elas ainda não existem - dentro da validade do concurso). Nos concursos realizados no segundo semestre, quando há transição de governos e não dá mais para chamar ainda no mesmo exercício, são mais suscetíveis de prescrição. Por isso, fique atento se há eleição no ano que você está prestando.

Vale lembrar que os concursos têm validade de até dois anos, prorrogáveis por igual período, e não pode haver outro concurso durante esse período para os mesmos cargos, nem a contratação de terceirizados.

Fonte: http://pessoas.hsw.uol.com.br/concurso-publico4.htm

segunda-feira, 7 de dezembro de 2009

CRACK, A DROGA DA MORTE

Drogas: o crack e os novos termos
Archimedes Marques - Delegado de Policia. Pós-Graduado em Gestão Estratégica de Segurança Publica pela UFS

Antes de adentrarmos nos fatos e nas conseqüências do uso do crack peço permissão à língua portuguesa para usar duas palavras chave do tema, que na verdade são inexistentes no nosso dicionário, quais sejam: crackudo e vacilão.Crackudo é originário do termo crack que é uma droga sintética. A palavra foi recentemente criada pelo povo brasileiro para identificar o indivíduo que é usuário e viciado dessa droga, ou seja, crackudo nada mais é do que o consumidor do crack, aquele cidadão que adquire o produto para uso próprio.


Quanto a vacilão, tal palavra é originada do verbo vacilar que significa, dentre outros: não estar firme, cambalear, enfraquecer, oscilar, tremer, hesitar, estar irresoluto, incerto... Vacilão na linguagem popular nada mais é do que o indivíduo que não mede as conseqüências dos seus atos e tampouco se importa com o que lhe aconteça.

A composição química do crack é simplesmente horripilante e estarrecedora. A partir da pasta base das folhas da coca acrescentam-se outros produtos altamente nocivos a qualquer ser vivo, tais como: ácido sulfúrico, querosene, gasolina ou solvente e a cal virgem, que ao serem processados e misturados se transformam numa pasta endurecida homogênea de cor branco caramelizada onde se concentra mais ou menos 50% de cocaína, ou seja, meio à meio cocaína com os outros produtos citados. A droga é fumada pura, misturada em cigarro comum ou em cigarro de maconha.


O crack trás a morte em vida do crackudo, arruína a vida dos seus familiares, aumenta a criminalidade onde se instala, degrada e mata mais do que todas as outras drogas juntas.

Lançando um olhar no passado o crackudo vê o rumo errado que tomou. Olhando ao futuro somente se lhe afigura a tumba. O seu presente é só o crack: o crack como o senhor do seu viver, como seu dominador, como seu real transformador do bem para o mal, como destruidor da sua família, como aniquilador da sua vida, como o seu curto caminho para a morte.


Estamos, sem sombras de dúvidas, em aguda e profunda crise social, familiar e criminal relacionada a essa droga avassaladora e mortal. A população mostra-se atônita, indefesa e impotente com tal problemática. Até parece que apesar de todas as alertas feitos constantemente na mídia, as autoridades constituídas ainda não atentaram para esse gravíssimo problema que gera tantos outros em áreas diversas e que transforma tudo em malefícios.

O homem é o único animal racional existente na face da Terra, mas age, sem sombras de dúvidas de maneira irracional e gananciosa quando conscientemente fabrica o mal para o seu semelhante. Dentre todos os malefícios criados pelo homem para o homem, o crack está entre os primeiros colocados.


Basta o experimento de um único cigarro da pedra do crack para viciar o vacilão. A fumaça altamente tóxica da droga é rapidamente absorvida pela mucosa pulmonar excitando o sistema nervoso, causando euforia e aumento de energia ao usuário. Com a falta dessa sensação ao passar o efeito da droga, logo o vacilão é compelido ao segundo cigarro e assim por diante até levá-lo a conseqüências irremediáveis vez que ele é capaz de matar e morrer para sustentar o seu vício.

Com o passar do tempo o crack causa destruição de neurônios e provoca ao crackudo a degeneração dos músculos do seu corpo, fenômeno este conhecido na medicina como rabdomiólise, o que dá aquela aparência esquelética ao indivíduo, ou seja, ossos da face salientes, pernas e braços finos e costelas aparentes.


O crackudo pode ter convulsão e como conseqüência desse fato, pode levá-lo a uma parada respiratória, coma ou parada cardíaca. Além disso, para o debilitado e esquelético sobrevivente seu declínio físico é devastador, como infarto, dano cerebral, doença hepática e pulmonar, hipertensão, acidente vascular cerebral (AVC), câncer de garganta, além da perda dos seus dentes, pois o ácido sulfúrico que faz parte da composição química do crack assim trata de furar, corroer e destruir a sua dentição.

Conclui-se assim que do mal nasceu o crack, que do crack surgiu o vacilão, que do vacilão gerou o crackudo, que do crackudo restou a morte.




Consequências para a saúde

Intoxicação pelo metal
O usuário aquece a lata de refrigerante para inalar o crack. Além do vapor da droga, ele aspira o alumínio, que se desprende com facilidade da lata aquecida. O metal se espalha pela corrente sanguínea e provoca danos ao cérebro, aos pulmões, rins e ossos.
Fome e sono
O organismo passa a funcionar em função da droga. O dependente quase não come ou dorme. Ocorre um processo rápido de emagrecimento. Os casos de desnutrição são comuns. A dependência também se reflete em ausência de hábitos básicos de higiene e cuidados com a aparência.
Pulmões
A fumaça do crack gera lesão nos pulmões, levando a disfunções. Como já há um processo de emagrecimento, os dependentes ficam vulneráveis a doenças como pneumonia e tuberculose. Também há evidências de que o crack causa problemas respiratórios agudos, incluindo tosse, falta de ar e dores fortes no peito
Coração

A liberação de dopamina faz o usuário de crack ficar mais agitado, o que leva a aumento da presença de adrenalina no organismo. A consequência é o aumento da frequência cardíaca e da pressão arterial. Problemas cardiovasculares, como infarto, podem ocorrer
Ossos e músculos
O uso crônico da droga pode levar à degeneração irreversível dos músculos esqueléticos, chamada rabdomiólise.
Sistema neurológico
Oscilações de humor: o crack provoca lesões no cérebro, causando perda de função de neurônios. Isso resulta em deficiências de memória e de concentração, oscilações de humor, baixo limite para frustração e dificuldade de ter relacionamentos afetivos. O tratamento permite reverter parte dos danos, mas às vezes o quadro é irreversível
Prejuízo cognitivo: pode ser grave e rápido. Há casos de pacientes com seis meses de dependência que apresentavam QI equivalente a 100, dentro da média. Num teste refeito um ano depois, o QI havia baixado para 80
Doenças psiquiátricas: em razão da ação no cérebro, quadros psiquiátricos mais graves também podem ocorrer, com psicoses, paranoia, alucinações e delírios
Sexo
O desejo sexual diminui. Os homens têm dificuldade para conseguir ereção.
Há pesquisas que associam o uso do crack à maior suscetibilidade a doenças sexualmente transmissíveis, em razão do comportamento promíscuo que os usuários adotam
Morte
Pacientes podem morrer de doenças cardiovasculares (derrame e infarto) e relacionadas ao enfraquecimento do organismo (tuberculose).
A causa mais comum de óbito é a exposição à violência e a situações de perigo, por causa do envolvimento com traficantes, por exemplo.

terça-feira, 1 de dezembro de 2009

DOWNLOAD DE E-BOOKS JURÍDICOS

Dos Delitos e das Penas

‘Os policiais tinham a intenção de me matar’

Jovem que acusa PMs de tortura, extorsão e abuso sexual revela os momentos de horror que passou dentro da viatura e as humilhações que sofreu na Estrada das Paineiras
 
Com dores no ouvido e tontura, por causa do tiro de fuzil que lhe feriu o rosto, a vendedora H., 21 anos, relatou ontem os momentos de horror que passou na sexta-feira. Ela acusa dois policiais militares de roubo, tortura, estupro e tentativa de homicídio.

H. contou que seguia para a casa de sua mãe quando foi abordada pelo soldado Rodrigo Nogueira Batista, 30, e o cabo Marcelo Machado Carneiro 40, ambos lotados no 1º BPM (Estácio). “Eu estava indo para a casa da minha mãe, levando o dinheiro (R$1.700) para ela guardar. Estava juntando o dinheiro há três meses, para as festas de fim de ano”.

Segundo H., os policiais a obrigaram a entrar na viatura. “Eles me pegaram perto da estação do Metrô do Estácio. Disseram que iam me levar para a delegacia. No caminho passaram por uma Blazer de supervisão da PM, mas não sei se me viram dentro da viatura. Trocaram de veículo e seguiram comigo num Gol branco”.

A vendedora conta que foi torturada até chegar a Estrada das Paineiras, no Alto da Boa Vista. “No carro, me davam tapas na cara. Diziam que eu era mulher de traficante. Queriam dinheiro para me soltar. Os policiais tinham intenção de me matar. Quando entraram no carro tiraram a farda, ficaram só de camiseta branca, não queriam que eu visse o nome deles”.

H. diz que passou os piores momentos de sua vida quando desceu do carro. “Eles me deram chutes no rosto. Depois começaram a passar a mão nos meus seios e nas minhas partes íntimas. Gritavam que eu ia morrer. Depois perguntaram se eu sabia rezar e mandaram eu fechar os olhos. Nessa hora fizeram o disparo no meu rosto. O impacto me fez cair da ribanceira. Fingi que estava morta”, relatou a jovem.

De acordo com a vítima, os policiais utilizaram uma lanterna para verificar se ela estava realmente morta. Depois retornaram ao local para ter certeza. “Eu me agarrei à vegetação e comecei a subir. Percebi que eles estavam voltando, tive que ficar paralisada. Ouvi eles dizendo que eu estava morta”, lembra H.

Depois que os policiais foram embora, ela foi socorrida por um ciclista. A vendedora diz que teme pela segurança de sua família. Ela pretende processar o Estado. “Estou apavorada. Tenho um filho de um ano e estou com muito medo. Não sei em quem posso confiar. Nunca mais entro num carro de polícia. Quero que eles sejam punidos. Eu vou processar o Estado, quem deveria proteger está matando”.
 
Jovem fará acareação com algozes

Nos próximos dias, H. poderá reencontrar seus algozes para uma acareação. “Seria primordial para a investigação”, disse o delegado Fernando Reis, titular da 6ª DP (Cidade Nova). O namorado dela também deve ser chamado a depor.

O policial requisitou ontem à Polícia Militar o mapa do GPS da viatura usada pelos acusados, para traçar a trajetória desde o momento em que a vítima foi abordada até quando ela foi trocada pelo carro de um dos PMs. Foi nesse último veículo que a vendedora foi levada para o Alto da Boa Vista, onde foi baleada. Para o delegado, ainda não foi esclarecido o motivo que levou os PMs a tentarem assassinar a jovem.

Mário Sérgio: ‘Eu pensava que já tinha visto de tudo’
 
O secretário estadual de Segurança, José Mariano Beltrame, se disse escandalizado com o crime atribuído ao cabo e ao soldado. “Infelizmente, é um caso horroroso, escandaliza a todos nós. O estado investe, paga e prepara os policiais. Depois, dá carteira, farda e pede que algeme marginais, e acontece exatamente o contrário. A gente não vai permitir que esses pretensos, falsos policiais maculem o trabalho que outros tantos bons estão fazendo”, afirmou.

O comandante-geral da PM, coronel Mário Sérgio Duarte, classificou o caso como absurdo. “É tão absurdo que, se pensarmos no fato, não acreditamos. Eu pensava que já tinha visto de tudo, mas fico estupefato diante de uma barbaridade como essa. Os policiais estão sendo acusados de fatos graves, suficientes para que, se fossem julgados hoje, fossem excluídos da corporação. Mas temos que esperar até o fim do processo disciplinar”, afirmou.

domingo, 29 de novembro de 2009

Justiça decreta prisão temporária de policiais militares que teriam atirado em jovem


O soldado e o cabo da Polícia Militar já estavam detidos desde sábado com prisão administrativa de 72 horas, no 1º Batalhão (Estácio), onde eles trabalham. Segundo a Polícia Civil, uma moradora do Morro do São Carlos, foi abordada por um soldado e um cabo na noite de sexta-feira, próximo a uma estação de metrô. Os policiais teriam roubado R$ 1,7 mil da mulher e exigido mais R$ 20 mil para libertá-la.

Sem conseguir o dinheiro, a suspeita é que os policiais tenham levado a mulher para uma estrada deserta no Alto da Boa Vista e tentado matá-la com um tiro de carabina no rosto. A mulher foi abandonada pelos policiais, mas sobreviveu e denunciou os dois.

Entenda o caso

O cabo PM Marcelo Machado Carneiro, 40 anos, foi detido no fim da noite de sábado, na casa de um parente, em Cosmos, na Zona Oeste do Rio. Lotado no 1º BPM (Estácio), o cabo Marcelo Carneiro, que estava foragido, é um dos acusados de roubar cerca de R$ 1.750, abusar e tentar matar uma vendedora de 21 anos, na sexta-feira à noite, nas Paineiras, no Alto da Boa Vista. O outro acusado, o soldado Rodrigo Nogueira Batista, já havia sido preso na tarde de sábado.

Marcelo foi detido por policiais do Serviço Reservado (P-2) do 1º BPM (Estácio) e chegou à 6ª DP (Cidade Nova), na madrugada deste domingo. Na delegacia, Marcelo e Rodrigo foram reconhecidos pela vítima. Segundo o delegado adjunto Alexandre Braga, o cabo preferiu não prestar depoimento, por estar, aparentemente, alcoolizado. Rodrigo é acusado de ter atirado na jovem.

O delegado informou ainda já ter provas suficientes para solicitar, ainda neste domingo, a prisão provisória dos acusados, junto ao plantão do Tribunal de Justiça. Após os depoimentos, os PMs foram encaminhados ao batalhão, onde ficarão presos administrativamente pelo período de 72 horas. A jovem será incluída no Programa de Apoio e Proteção a Testemunhas.

"Os dois policiais foram reconhecidos pela vítima. E, com base nas provas técnicas, vamos pedir a prisão temporária dos envolvidos. Os policiais serão indiciados pelos crimes de roubo, cárcere privado, estupro e tentativa de homicídio", disse o delegado, que esteve, no fim da noite de sábado, no local do crime, acompanhado de peritos do Instituto de Criminalística Carlos Éboli.

Um dos acusados pediu para jovem rezar, antes de fazer o disparo


De acordo com as investigações, a jovem foi abordada pelos policiais na estação do metrô, no Estácio, por volta das 22h30 de sexta-feira. Ela ia para a casa da mãe, quando foi surpreendida pelos PMs fardados. A dupla teria colocado a jovem em uma viatura, depois em um carro particular, e seguiu com ela até a Estrada das Paineiras, no Alto da Boa Vista. A jovem contou que os policais pediram para ela rezar, antes de um deles fazer o disparo. Ela levou um tiro no rosto e só escapou porque fingiu estar morta.

Três horas e meia após se arrastar pela mata, a vendedora escalou a ribanceira e pediu ajuda a um idoso, que passava de bicicleta, sendo socorrida por bombeiros. O tiro que a atingiu entrou no lado esquerdo do rosto e saiu próximo ao ouvido. Medicada no Hospital Lourenço Jorge, na Barra, ela foi levada à 6ª DP e reconheceu os policiais.

Na tarde de sábado, peritos acharam par de sandálias, sangue e cápsula de fuzil. Foram apreendidas duas pistolas, fuzil e carabina dos PMs. O comandante-geral da PM, Mário Sérgio Duarte, disse que, se o julgamento fosse no sábado, os PMs teriam sido expulsos: “Fatos como esses nos envergonham”.
 

Comandante-geral da PM se diz envergonhado com atitude de policiais

 

O comandante-geral da Polícia Militar, coronel Mário Sérgio Duarte, esteve na noite deste sábado na 6ª DP (Cidade Nova), para acompanhar as investigações do caso de uma jovem que teria sido achacada, sequestrada e baleada por policiais do 1º BPM (Estácio). O coronel se disse envergonhado com as acusações contra os PMs.

— No primeiro momento, aplicamos uma prisão administrativa. Os fatos são gravíssimos, nos causam uma grande indignação e até nos envergonham. Um policial comentendo isso durante o serviço potencializa e agrava e muito a situação deles. São fatos que nos causam um constrangimento muito grande. Eles podem ser expulsos da corporação — afirmou Mário Sérgio.

O delegado Alexandre Braga, da 6ª DP, já pediu a prisão temporária por 30 dias dos PMs, identificados como o soldado Rodrigo Nogueira Batista e o cabo Marcelo Machado Carneiro. Rodrigo, de 30 anos, está há três na corporação e há um mês no 1º BPM. Anteriormente, ele esteve no 6º BPM (Tijuca). Já o cabo Marcelo, de 40 anos, está há 14 anos na corporação e já esteve lotado no 18º BPM (Jacarepaguá). O soldado Rodrigo já está preso administrativamente.

Em menos de dois meses, este é o terceiro caso envolvendo policiais militares em ações criminosas. Em outubro, o soldado Diego Luis Carvalho Varanda, de 23 anos, foi preso após roubar pedestres e trocar tiros com colegas de farda em um carro roubado. Ele estava acompanhado por dois menores, de 14 e 17 anos, sendo este último, filho de um outro policial militar.

No mesmo mês, os PMs Dennys Leonard Nogueira Bizarro e Marcos de Oliveira Sales foram flagrados por câmeras de vídeo pegando os pertences do coordenador do AfroReggae, Evandro João da Silva, que havia sido baleado por dois assaltantes no Centro do Rio. A vítima agonizou e morreu no local. O Ministério Público estadual ofereceu semana passada denúncia contra os dois por prevaricação e furto qualificado.

Coronel Lopes diz que caso da jovem baleada é ponta de iceberg


O Coronel da PM Paulo Cesar Lopes acredita que casos como o da jovem de 21 anos que quase foi morta por policiais na noite de sexta-feira são apenas a ponta do iceberg. Ele explica que, por sorte, a moça conseguiu sobreviver para acusar os suspeitos do crime, enquanto milhares de outros casos nunca são resolvidos.

- É preciso fazer uma intervenção rigorosa na PM, com demissões em massa dos maus policiais, antes de qualquer coisa. Há uma fragilidade da disciplina sem precedentes na corporação - afirma o coronel, acrescentando que, antes de pensar em aumentar o efetivo para 60 mil homens, o governo precisa rever o processo de treinamento e o ciclo de promoções.

- Hoje, grande parte dos policiais são promovidos por tempo, independentemente da sua qualidade. O critério deveria ser o mérito.

Justiça decreta prisão temporária dos PMs 

 

O plantão judiciário expediu no fim da manhã deste domingo, a prisão temporária do soldado Rodrigo Nogueira Batista, de 30 anos, e do cabo Marcelo Machado Carneiro, 40 anos.

Os dois foram presos neste sábado  sob acusação de roubo, estupro e tentativa de homicídio de uma jovem de 21 anos na noite de sexta-feira. O soldado negou  crimes e o cabo disse que só fala em juizo. Os policiais estão no 1º BPM e serão transferidos para o Batalhão Especial Prisional (BEP).

 

Soldado da PM nega crimes contra mulher de 21 anos

 

O soldado Rodrigo Nogueira Batista, de 30 anos, preso no sábado sob acusação de roubo, estupro e tentativa de homicídio de uma jovem de 21 anos na noite de sexta-feira, negou os crimes.

Segundo o delegado Alexandre Braga, o PM relatou uma série de horários e endereços onde esteve durante a madrugada que serão investigados:
- Ele citou lugares e horários vagamente. Agora, vamos verificar o valor dessas informações.

A polícia ainda não sabe o motivo pelo qual os policiais abordaram a jovem: se havia alguma informação ou se foi aleatório.

No início da manhã deste domingo, o delegado da 6ª DP foi à Justiça pedir os mandados de prisão e busca e apreensão para o soldado e o cabo Marcelo Machado Carneiro, de 40 anos, que se apresentou na madrugada deste domingo. Os dois estão presos administrativamente no 1º BPM (Estácio) e serão transferidos ainda neste domingo para o Batalhão Especial Prisional.

 

Cabo preso na noite de ontem diz que só fala em Juízo


O cabo Marcelo Machado Carneiro, 40 anos, se apresentou neste sábado mas disse que só vai falar em juizo. Ele é um dos dois PMs do 1º Batalhão da Polícia Militar (BPM) que, na noite de sexta-feira, participou de extorsão e tentativa de assassinato de uma jovem moradora do Morro do São Carlos.

A assessoria de imprensa da PM informa que o policial foi preso na noite de sábado, por volta das 22h, na Delegacia de Polícia Judiciária Militar (DPJM). Em seguida ele foi encaminhado para a 6ª DP, no Centro, onde foi reconhecido pela vítima. Os dois estão presos administrativamente no 1º Batalhão da Polícia Militar.

O cabo Marcelo, de 40 anos, está há 14 anos na corporação e já esteve lotado no 18º BPM (Jacarepaguá).

Já o soldado Rodrigo Nogueira Batista, preso na tarde de sábado,  está há três  anos na corporação e há um mês no 1º BPM. Anteriormente, ele esteve no 6º BPM (Tijuca).

O delegado Alexandre Braga, da 6ª DP, já pediu a prisão temporária por 30 dias do cabo e do soldado. Ambos estão presos administrativamente por 72 horas no 1ºBPM.

Policiais teriam deixado carro da PM em depósito na Praça Onze


Em seu depoimento na 6ª DP (Cidade Nova) a jovem que acusou policiais do 1º BPM (Estácio) de sequestrá-la, achacá-la e tentar matá-la, na madrugada deste sábado, contou que por volta de meia-noite os PMs, que a levavam num carro do batalhão, pararam na porta do 1º BPM e conversaram com policiais numa Blazer.

Ela diz ter sido pega perto da estação de metrô do Estácio por volta das 22h30m desta sexta-feira. Entre este horário e meia-noite, os policiais teriam rodado por vários bairros, entre eles Tijuca, Rio Comprido e Estácio. A jovem deu entrada, baleada, no Hospital Lourenço Jorge, na Barra, às 2h15m de sábado.

Segundo o comandante do 1º BPM (Estácio), tenente-coronel César Tanner, a jovem contou que o carro da PM onde os policiais a levavam foi deixado num antigo depósito de veículos apreendidos da Polícia Militar, na Praça Onze.

De lá, eles teriam pego o carro particular no qual levaram a vendedora, de 21 anos, para a Estrada das Paineiras. Como o policial que fica de guarda no depósito é do 1º BPM, ele também poderá responder à sindicância aberta no batalhão para investigar o caso.

O coronel Mário Sérgio Duarte, comandante-geral da PM, chegou há pouco à 6ª DP (Cidade Nova), onde o caso está sendo investigado.

Policiais teriam inventado confronto para justificar uso de munição

 

Segundo o tenente-coronel César Tanner, comandante do 1º BPM (Estácio), os policiais acusados de sequestrar, extorquir dinheiro e balear uma jovem de 21 anos, na noite desta sexta-feira, teriam simulado uma troca de tiros ocorrida entre eles e bandidos numa moto Rua Barão de Petrópolis, no Rio Comprido, para justificar o gasto da munição de fuzil usada para balear a garota.

O comandante do batalhão do Estácio afirmou, porém, ter estranhado a versão, já que ali é uma área de muito risco.

Além disso, de acordo com Tanner, os policiais deveriam ter largado o plantão às 7h, mas deram baixa no batalhão às 5h15m de sábado.

O comandante-geral da PM, coronel Mário Sérgio Duarte, está sendo esperado na 6ª DP (Cidade Nova), onde o caso está sendo investigado.

Policiais teriam imaginado que vítima tinha contato com traficantes

 

A jovem que teria sido baleada e jogada de um barranco por policiais militares contou na 6ª DP (Cidade Nova) que, depois de pegarem R$ 1.700, os dois PMs ainda exigiram uma quantia em torno de R$ 20 mil. Para o delegado Alexandre Braga, a vítima disse que a dupla imaginou que ela tivesse alguma ligação com traficantes de drogas do Morro do São Carlos, onde reside. Depois de baleada e jogada no penhasco, a vendedora conseguiu retornar para o asfalto, momento em que foi encontrada por um ciclista. Ele acionou o Corpo de Bombeiros que a levou para o Hospital Lourenço Jorge, na Barra da Tijuca.


Armas que teriam sido usadas por PMs para balear jovem chegam à 6ª DP 

 

Os policiais militares acusados de participar da extorsão e da tentativa de assassinato de uma jovem de 21 anos, nest asexta-feira, no Alto da Boa Vista, são um cabo e um soldado do 1º BPM (Estácio).

As armas que eles utilizavam no dia — duas pistolas, um fuzil e uma carabina — já foram apreendidas e levadas para a 6ª DP (Cidade Nova). O tiro que atingiu o rosto da jovem teria saído de uma carabina.

Ciclista foi quem socorreu jovem que levou um tiro no rosto 

 

A jovem que teria sido baleada por PMs na Estrada das Paineiras teria levado um tiro — supostamente de carabina — no rosto porque não tinha mais dinheiro para dar aos policiais. Em depoimento na delegacia, a jovem contou que tinha R$ 1.700 quando foi revistada pelos PMs próximo ao Metrô da Estácio.

Ao encontrarem o dinheiro, os PMs pediram mais. A jovem disse que não tinha e foi levada para o que seria uma execução.

Após ser baleada no rosto e jogada de um barranco, ela foi socorrida por um ciclista, que a encontrou  pedindo ajuda e a levou para o Hospital Lourenço. A jovem foi medicada, liberada e seguiu para a delegacia, onde denunciou os PMs. 


Resenha Literária - "Sangue Azul: Morte e Corrupção na PM do Rio"


 Estarrecedor. Revoltante. Um soco no estômago.

Esta é a definição que eu daria para a realidade contada no livro alvo de nossa resenha de hoje. São histórias reais que nem o mais imaginativo roteirista ou escritor conseguiria imaginar.

"Sangue Azul: Morte e Corrupção na PM do Rio" é o relato de um soldado da Polícia Militar do Rio de Janeiro, feito ao roteirista Leonardo Gudel (Rede Record).

Como a orelha do livro deixa clara, apesar de nomes e locais terem sido trocados todos os fatos relatados são reais. Eu diria mais: com a sequência de livros que tenho lido sobre o tema, diria que é tudo realidade.

A história do livro é simples: soldado PM do Rio de Janeiro conta a sua história dentro da corporação, entremeado com momentos familiares entrelaçados.

A sequência mostra clara como ele entra na corporação, íntegro e disposto a servir - e aos poucos se transforma em um assassino, corrupto e ameaçado de morte. Na visão dele, esta transformação se deve a dois fatores:

1) À corrupção das altas esferas da política e da corporação;
2) Ao sistema policial e sua engrenagem;

Vamos a alguns exemplos de histórias contadas no exemplar:

1) Sargento tortura família de traficante: primeiro mata a filhinha, depois dá um tiro no ânus do bandido, que sangra até morrer assistido pela mulher e pela sogra. Com a morte após doze horas de agonia, ele mata as duas.

Tal fato ocorre na tomada do morro por uma milícia;

2) Após duas tentativas de prender o chefe de uma determinada localidade e ter sido obrigado a soltar por ordem da delegada da Polícia Civil e do Comandante do Batalhão, a guarnição o prende novamente e exige R$ 140 mil reais para a sua soltura - uma clássica "mineira". Adivinhem quem paga ? O comandante do próprio Batalhão, "sócio" do bandido em questão.

3) Armas apreendidas em operações policiais são revendidas a bandidos rivais; bem como maconha e cocaína que deveriam ser apresentadas ao término das operações policiais mas acabam também como objeto de venda;

4) Comandante de batalhão era sócio do dono de um morro e só mandava fazer operações policiais em morros vizinhos, a fim de fortalecer o tráfico onde ele era sócio. Ressalto que ele é preso em outra passagem, a que origina e fecha o livro;

5) Guarnição prende irmão de juíza com nove quilos de cocaína. Veredito do caso, dado pela própria: cadeia para os PMs por uma série de acusações e expulsão da corporação. Inocência e liberdade para o marginal.

6) Se o PM quiser mais munição para ir a campo, precisa subornar o funcionário responsável pelas armas do batalhão. No relato ele chega a ironizar o leitor dizendo que "agora você entende aquela 'cervejinha' que se paga nas blitzes";

7) As 'vagas' nas guarnições são vendidas de acordo com o "potencial de recursos" que aquele trabalho pode gerar;

8) Execuções sumárias e tiros pelas costas. Também ensina como se faz para se camuflar uma execução e transformá-la em um "auto de resistência";

9) Explicita o papel dos informantes, os chamados "X-9", na estrutura policial. O papel destes é, em sua maioria, propiciar "chances de ganhos" aos policiais;

10) Emboscadas preparadas pelos próprios comandantes para policiais sob sua responsabilidade;

11) A vida no crime daqueles que são expulsos pela corporação;

12) A corrupção entre os políticos e os altos oficiais. Diz-se com todas as letras que o objetivo não é combater a criminalidade, mas sim deixar aqueles que estão no comando ricos.

E olha que não escrevo aqui algumas das histórias mais cabeludas do livro...

Confesso que fiquei absolutamente perturbado, me perguntando se há solução para um sistema tão corrupto e sanguinário. O interesse do cidadão é o que menos importa nesta festa toda. Fica claro também que o "combate ao tráfico" não passa de encenação para encobrir os verdadeiros intere$$e$ envolvidos.

Também é marcante a progressiva brutalização que ele sofre, refletindo-se na família, e o prazer de matar que muitos sentem. Para a maioria dos PMs, matar bandidos é uma espécie de "videogame".

A propósito, quem leu o "Elite da Tropa" vai identificar um dos comandantes citados no livro, tenho quase que certeza de que é o mesmo envolvido em passagens deste "Sangue Azul".

Meus 32 leitores devem estar se perguntando: "o que o levou a falar?" Minha teoria é de que ele está com medo de morrer e optou por tentar se proteger desta forma.

Nos dois últimos capítulos do livro ele sofre um atentado a tiros (do qual sai vivo e, apesar de não dar muitos detalhes, sem sequelas) e revela claramente o medo de morrer e a paranóia decorrente daí. Talvez seja uma tentativa de auto-proteção. Ele sofre este atentado como represália à operação de que participou no tal morro onde o comandante era um dos "sócios" nos negócios ilegais.

Obviamente que ele troca o próprio nome, até porque a quantidade de crimes que ele descreve ali é caso para uma longa temporada na cadeia.

Revoltante e estarrecedor. Somente lendo mesmo, aqui não chego nem perto de esgotar os assuntos tratados. Entretanto, aviso: não é indicado para estômagos sensíveis.

Todavia, por mais que seja revoltante, é obrigatório o cidadão conhecer o cotidiano daqueles que, teoricamente, têm como função nos proteger. Teoricamente...

No Submarino, custa R$ 35. O curioso é que o livro foi lançado sem qualquer divulgação. Até as referências no Google são bem escassas.

Por que será ?

Livro denuncia corrupção na PM e crimes cometidos por policiais

Lançado há pouco mais de uma semana, o livro  "Sangue Azul, morte e corrupção na PM do Rio”, promete muita polêmica dentro e fora do meio militar. Nele um policial militar do Rio de Janeiro, sob o pseudônimo de Rubens, admite a participação em diversos crimes. Quase todos praticados com os seus companheiros de trabalho e sob a proteção da farda.

O tom de confissão é sempre alternado com duras acusações contra a PM, os oficiais que a dirigem e as autoridades de segurança do estado. Os crimes cometidos por Rubens e seus colegas vão desde a revenda de armas apreendidas para traficantes à execuções frias de bandidos, inocentes e até mesmo de companheiros policiais. Em contraste com a frieza que descreve seus atos, Rubens acusa o sistema de o corromper:

— É claro que entrei na PM sabendo que lá não tem nenhum santo. Mas entrei com o intuito de servir e pro-
teger. Mas o próprio sistema vai te extirpando. Para quem pensa em se tornar policial militar, hoje eu digo que não o faça, pois ele esquecerá tudo de bom que um dia existiu dentro dele.

domingo, 22 de novembro de 2009

Última do malandro: virar estilo de vida


Estudo mostra como a malandragem se enraizou no Rio e passou a ser adotada como comportamento visto com simpatia pelo brasileiro

'Pensava o que fazer com a profusão de malandros e malandragens que a cada dia invadia em maior número meu cotidiano. Não pude deixar de rir da ironia quando percebi na calçada uma figura de calça branca, camisa vistosa estampada e boné branco. ‘Bezerra da Silva’, o motorista de táxi anunciou. E completou. ‘Esse aí é que é malandro mesmo. Porque malandro não é quem rouba. É quem usa o dom da palavra para conseguir o que quer.’

O trecho acima é do livro ‘No Fio da Navalha’, da professora de Literatura Giovanna Dealtry, e é o primeiro exemplo de malandragem nesta reportagem: usar o texto da própria autora para a apresentação inicial, diminuindo o trabalho do repórter. Segundo Giovanna, o brasileiro desenvolveu desde o Século 19 olhar simpático para a malandragem. Não vê mal em transgredir regra para se dar bem.

“Temos imagem de malandro meio estereotipada, de terno branco, navalha no bolso. Este malandro é restrito a uma faixa histórica, principalmente nos anos 40”, explica a professora. Para ela, o malandro se manifesta quando pedimos ao guarda, por exemplo, para deixar o carro por ‘cinco minutinhos’ em local proibido. “O que em outra cultura seria visto como infração, aqui faz parte da nossa negociação cotidiana”, observa.

A época de ouro da malandragem floresceu na Lapa, entre os anos 30 e 50. O produtor cultural Ary Nunes conheceu alguns expoentes. “O malandro típico andava de camisa de seda, sapato de duas cores e bem perfumado. Eram cheios de gírias”, conta.

Com o desenvolvimento econômico, a malandragem passou a ser questionada. “Tem de se ter um mínimo de formalidade para que a cidade possa funcionar”, acentua Giovanna. A obra, lançada pela Casa da Palavra, é resultado de cinco anos de pesquisa para sua tese de doutorado na PUC-RJ.

Giovanna vasculhou a literatura e a música para analisar como a figura do malandro fincou raízes em nossa cultura. É a imagem que também exportamos. Um dos exemplos é o Zé Carioca, lançado pela Disney, na década de 40.

O músico Francisco Otávio Reis, 50, virou personagem do cantor Zeca Pagodinho. Em ‘Chico não vai na curimba’, retrata suas andanças no culto afro. Ele já trabalhou com o pagodeiro. “Boa conversa e alegria fazem parte do meu repertório”, diz, em uma bar na Lapa. Ao terminar a entrevista, fez pedido cheio de ginga: “O amigo poderia deixar a saideira paga? Tô duro.”

 
Jair arrumou apelido após briga na boate



Da Lapa, Jair Mãozinha traz muitas recordações e cicatrizes, é claro. O próprio apelido é resultado de tiro que levou na mão direita ao defender um amigo, numa boate. A mão atrofiou, mas não o impediu de fazer história na noite carioca. Depois dos 18 anos, passou a frequentar a Lapa e a ganhar a vida como apontador do Bicho. Hoje, aos 73 anos, continua na boemia. Mas, agora, em vez de confusão, prefere comandar as serestas de quinta, na Rua Luiz Camões. “É difícil estar mal-humorado. Mas, se mexer comigo, é bom estar preparado”, avisa ele, casado, uma filha, dois netos.

DE LEVE


FIO DA NAVALHA


“O malandro vive no fio da navalha, na tênue linha entre o crime e a contravenção”, explica a escritora Giovana Dealtry.

PERFIL


A imagem tradicional do malandro é a de que possui aversão ao trabalho, adepto da informalidade e que usa a conversa para conseguir o que quer. Para o ‘Aurélio’, é quem “vive de expedientes. Vadio, tratante”.


ALMA DE MALANDRO


Em pequenas coisas do dia a dia, o malandro pode se manifestar. Alguns exemplos: parar em local proibido, mas ‘ só por alguns minutinhos’; chamar o guardador de ‘meu amigo’ para imprimir intimidade e não pagar estacionamento. Atrasado, costuma pedir para se dar ‘um jeitinho’.


MADE IN BRAZIL


Na Copa de 1994, nos Estados Unidos, um policial comentou a relação com os torcedores. Depois de elogiar o comportamento pacífico dos brasileiros, fez a crítica. “Não dá para entendê-los: estacionam na vaga de deficientes e saem mancando”.


 

quinta-feira, 19 de novembro de 2009

Sindicato de Bares, Hotéis e Restaurantes consegue liminar contra lei antifumo no Rio de Janeiro


O Sindicato de Bares, Hotéis e Restaurantes (SindRio) obteve, na noite desta terça-feira, uma liminar suspendendo os efeitos da lei estadual 5.517/09, que proíbe o fumo em ambientes fechados de uso coletivo no estado do Rio.

A decisão, assinada pelo juiz Luiz Henrique O. Marques, da 1ª Vara de Fazenda pública, beneficia os cerca de dois mil estabelecimentos filiados à entidade. O subsecretário Jurídico da Secretaria estadual de Saúde, Pedro Henrique di Masi, informou no início da tarde desta quarta-feira que, até as 13h03m, o órgão não havia recebido o mandado de intimação referente à ação impetrada pelo Sindicato dos Hotéis, Bares e Restaurantes (SindRio), contra a lei antifumo. De acordo com Masi, o estado, por meio da Procuradoria Geral do Estado (PGE), irá recorrer da decisão.

De acordo com a Justiça, o estado não tem competência para legislar sobre o tema e, além disso, existe uma lei federal em vigor, menos restritiva, mas que respeita a saúde do fumante passivo. Já segundo a lei estadual, não é permitido fumar em ambientes fechados, e está proibido criar fumódromos ou área reservada para fumantes.

Nesta quarta-feira, agentes dos órgãos de vigilância sanitária estadual e municipais começam a fazer a fiscalização. O governo do estado criou o Disque Rio Sem Fumo (0800-0220022) para quem quiser denunciar locais que desrespeita a lei. Outras informações podem ser obtidas no site www.riosemfumo.rj.gov.br .

Fonte: http://oglobo.globo.com/rio/mat/2009/11/18/sindicato-de-bares-hoteis-restaurantes-consegue-liminar-contra-lei-antifumo-no-rio-914812996.asp

terça-feira, 17 de novembro de 2009

Câmara aprova piso salarial de 4,5 mil para PMs e bombeiros


Comissão especial aprovou nesta terça-feira a Proposta de Emenda à Constituição (PEC) 300/08, do deputado Arnaldo Faria de Sá (PTB-SP), que determina piso salarial nacional de R$ 4,5 mil para policiais militares (PM) e bombeiros. Também foi definido um segundo piso para o primeiro posto de oficial - 2º tenente - no valor de R$ 9 mil. As informações são da Agência Câmara.

O texto original também equipara os salários dessa categoria em todo o País com o dos PMs e bombeiros do DF. No entanto, o relator da proposta, deputado Major Fábio (DEM-PB), retirou esse dispositivo por considerar que a Constituição veda a equiparação salarial.

A comissão ser reunirá novamente na quarta-feira para votar três destaques ao texto aprovado. Dois foram apresentados pelo autor da PEC, Faria de Sá, retirando do texto a determinação do piso de R$ 4,5 mil e restabelecendo a equiparação salarial com os bombeiros e policiais militares do Distrito Federal.

O terceiro destaque foi apresentado pelo deputado Francisco Tenório (PMN-AL) e inclui os policiais civis nos benefícios aprovados.

A reunião da comissão especial encerrou-se há pouco devido ao início da Ordem do Dia do Plenário.


As informações são do Terra


Piso de R$ 4.500 para policiais

Comissão da Câmara aprova emenda constitucional que eleva vencimentos de soldados PMs e bombeiros e fixa reajuste em cascata para demais praças e oficiais. Destaque em votação hoje vai incluir policiais civis na proposta
 
PMs e bombeiros conquistaram uma importante vitória para fixação do piso salarial de R$ 4.500 em todo o País. Comissão especial da Câmara dos Deputados aprovou a Proposta de Emenda à Constituição (PEC) 300/08, que estipula o salário. O valor é 429% acima dos R$ 850 pagos para soldados PMs no Rio e equivale ao que recebe um capitão da corporação do estado.

A PEC estabelece a manutenção da hierarquia salarial e fixa valores maiores para as patentes acima de soldados. O texto aprovado só não traz um dos principais atrativos originais: a equiparação com os policiais militares e bombeiros do Distrito Federal, que paga o melhor vencimento do Brasil, inclusive, a soldados. A PEC a criação de um fundo federal para subsidiar os valores.

A igualdade faz parte da proposta original, de autoria do deputado Arnaldo Faria de Sá (PTB-SP). Ela é apontada por especialistas como arriscada, por representar a possibilidade de congelamento de salários dos policiais de Brasília. O deputado vai apresentar dois dos três destaques que serão votados pela comissão. A intenção é que o Plenário da Casa analise o texto original. O outro destaque que será apreciado foi apresentado pelo deputado Francisco Tenório (PMN-AL) e inclui os policiais civis na indexação salarial.

BOLSA OLÍMPICA DE R$ 1.500,00

O benefício que a União vai pagar a policiais civis e PMs do Rio ficará entre R$ 900 e R$ 1.500. O cálculo de impacto orçamentário já foi feito pelo Ministério da Justiça e caberá ao Ministério do Planejamento bater o martelo. A bancada do Rio já estuda apresentar emenda de R$ 900 milhões ao orçamento da União para garantir o benefício.

MP da bolsa da PM sai até o fim do ano

Até o fim do ano, a medida provisória que cria o incentivo para policiais do Rio estará pronta para ser enviada ao Congresso. “O objetivo do governador Sérgio Cabral é chegar ao valor de R$ 1.500 por policial. Vamos brigar para aprovar a emenda, já que uma medida provisória será redigida sobre o assunto”, afirmou o deputado Simão Sessim (PP), autor da emenda fluminense para o ‘Bolsa Olímpica’.

Hoje, há o ‘Bolsa Formação’ do governo federal para bombeiros, peritos, guardas municipais e agentes penitenciários. Para receber R$ 400, os servidores precisam participar de cursos. A diferença para a ‘Bolsa Olímpica’ é que não haverá obrigação de salário bruto abaixo de R$ 1.700. Delegados e coronéis terão direito. O estado promete que, em 2016, ano dos Jogos Olímpicos, a gratificação será incorporada aos salários.

Emenda para reaparelhar a segurança

A bancada de parlamentares do Rio se reuniu em Brasília e decidiu que destinará emenda ao orçamento da União para o reaparelhamento das forças de segurança. Proposta inédita do deputado federal Otávio Leite (PSDB) chegou a ser discutida: destinar todas as emendas de bancada — que historicamente chegam a R$ 300 milhões por ano — para a área de segurança pública. A ideia foi rechaçada pela maioria dos deputados.

“Sou a favor. Em 2007 destinei 100% das minhas emendas individuais para as polícias”, afirmou Índio da Costa (DEM). Já parlamentares como Chico Alencar (PSOL) e Geraldo Pudim (PMDB) são contra priorizar uma área apenas: “É uma demasia. Temos que garantir saúde e educação também”, afirmou Chico.

Governo começa a fiscalizar Lei Antifumo na quarta-feira



Lei entrou em vigor nesta segunda (16).
Multa varia de R$ 3 mil a R$ 30 mil.

Entrou em vigor nesta segunda-feira (16) a lei que proíbe o fumo em ambientes fechados no estado do Rio. No entanto, segundo a Secretaria de Estado de Saúde e Defesa Civil, a fiscalização do governo vai começar na próxima quarta-feira (18).

Há 13 anos, uma lei federal tornou proibido o fumo em ambientes fechados. Já era proibido fumar em ambientes de trabalho, locais de estudo, hospitais e postos de saúde, meios de transporte, teatros e cinemas.

A partir de agora, será proibido fumar em áreas de esporte e lazer, em espaços comuns em condomínios, em casa de espetáculos e em templos religiosos onde o fumo não faz parte do culto.

Ainda de acordo com a lei, fica proibido a criação de fumódromos.

Os estabelecimentos que desrespeitarem as regras podem ser multados que variam de R$ 3 mil a R$ 30 mil.


Clique aqui e confira a íntegra da lei.


Governador sanciona, e Rio de Janeiro ganha lei antifumo


Tabacarias terão licença especial, mas acabam fumódromos.
Em 90 dias, fumo em lugares fechados coletivos deverá ser banido.

O governador do Rio, Sérgio Cabral, sancionou na segunda-feira (17) a lei antifumo, que proíbe o fumo em lugares fechados coletivos. O texto foi publicado nesta terça-feira (18) no Diário Oficial do Estado do Rio de Janeiro. A lei extingue também os chamados fumódromos. A lei entra em vigor no prazo de 90 dias após a data da publicação.


A lei restringe o consumo de cigarros, cigarrilhas, charutos ou qualquer outro produto fumígeno, derivado ou não do tabaco, aos espaços ao ar livre e residências. O projeto é de autoria do governador Sérgio Cabral e foi inspirado na lei antifumo de São Paulo.

De acordo com a lei, locais de culto religioso, onde o uso do fumo faça parte do ritual, foram liberados, assim como as tabacarias.

Tabacarias terão que comprovar
 
A lei autoriza o consumo no interior das tabacarias, que, no entanto, passarão a ter que comprovar a sua condição. Esses estabelecimentos deverão ter mais de 50% de sua receita vinda da venda desses produtos.

O texto legal diz que a responsabilidade de impedir o uso do fumo em lojas comerciais e transportes públicos, depois da entrada em vigor da lei, será dos proprietários ou transportador. As multas poderão variar de R$ 3 mil a R$ 30mil – penalidade que poderá ser contestada no prazo de 30 dias.

Acabam os fumódromos 
 
A lei torna proibido o fumo em ambientes de trabalho, de estudo, de cultura, de culto religioso (onde o fumo não faça parte do ritual), de lazer, de esporte ou de entretenimento, áreas comuns de condomínios, casas de espetáculos, teatros, cinemas, bares, lanchonetes, boates, restaurantes, praças de alimentação, hotéis, pousadas, centros comerciais, bancos, supermercados, açougues, padarias, farmácias, drogarias, repartições públicas, instituições de saúde, escolas, museus, bibliotecas, espaços de exposições, veículos públicos ou privados de transporte coletivo, viaturas oficiais de qualquer espécie e táxis.

segunda-feira, 16 de novembro de 2009

Avião quase bateu em OVNI em Londres, diz Defesa britânica


Aeronave que se preparava para aterrissar esteve perto de se chocar contra objeto não identificado em 1991

LONDRES - Um avião comercial que se preparava para aterrissar no aeroporto londrino de Heathrow esteve perto de bater contra um Objeto Voador Não Identificado (OVNI), revelam documentos do Ministério da Defesa britânico divulgados nesta segunda-feira, 20. O capitão de um vôo da Alitalia se mostrou tão preocupado com a situação que chegou a gritar "cuidado" ao co-piloto, após observar em cima do avião um objeto de cor marrom que tinha a forma de um míssil, indicam os documentos.

Este misterioso incidente ocorreu no condado de Kent, no sudeste da Inglaterra, em 21 de abril de 1991 e foi investigado pela Autoridade de Aviação Civil (CAA) e pelos militares. O Ministério da Defesa decidiu fechar o caso como assunto não resolvido após chegar à conclusão de que não era nem um míssil, nem um globo meteorológico, nem um foguete espacial.

Este "encontro" inexplicável permanecia secreto nos Arquivos Nacionais de Kew, ao sudoeste de Londres, e faz parte de outros casos semelhantes que não foram esclarecidos.

O avião da Alitalia, um McDonnell Douglas MD80, fazia a rota entre Milão (Itália) e Londres com 57 pessoas a bordo, quando o piloto Achille Zaghetti observou o objeto não identificado, que estava cerca de 300 metros acima de seu aparelho. "Imediatamente, disse a meu co-piloto: cuidado, cuidado. E olhou e viu o que eu vi", relatou o piloto.

O documento desclassificado acrescenta que a emissora de televisão "Southern TV" emitiu o relato de um jovem de 14 anos que afirmou ter visto um objeto que tinha forma de míssil e estava a um nível muito baixo, e depois subiu e desapareceu no céu. Ao mesmo tempo, uma investigação do Ministério da Defesa concluiu que o objeto não procedia do Exército.

Assim, o ministério decidiu arquivar o assunto e indicou: "é nossa intenção tratar este avistamento como outro Objeto Voador Não Identificado e, portanto, não faremos mais investigações."


Fonte: http://www.estadao.com.br/noticias/internacional,aviao-quase-bateu-em-ovni-em-londres-diz-defesa-britanica,263081,0.htm

sábado, 17 de outubro de 2009

Cenas de guerra: tráfico abate helicóptero da PMERJ e espalha terror pelo Rio de Janeiro


Guerra derruba helicóptero, mata dois policiais e fere Major Busnello

A guerra entre traficantes do Morro São João, no Engenho Novo, e Macacos, em Vila Isabel, derrubou o helicóptero Fénix da Polícia Militar. O aparelho foi atingido quando sobrevoava o morro São João e teve que fazer um pouso forçado no campo da vila Olímpica do Sampaio, localizado na Av. Marechal Rondon, onde pegou fogo, às 10h10m. Mesmo ferido no pé, o piloto, Marcelo Vaz, conseguiu pousar. Na explosão, um policial ficou gravemente queimado, outro foi atingido na perna e outros dois morreram. O piloto foi encaminhado para o Hopital Central da Polícia Militar. Um outro policial está internado no Hospital do Andaraí. Na unidade, também há um bandido ferido. Entre os feridos estaria o major João Jaques Busnello, atirador de elite da Polícia Militar, que foi aclamado como herói ao salvar a vida uma comerciante refém de um assaltante que invadiu sua farmácia armado com uma granada na Rua Pereira Nunes, em Vila Isabel.

Por volta da 1h da madrugada, bandidos do Morro São João, invadiram o Morro dos Macacos aterrorizando os moradores da comunidade. No acesso da Rua Senador Nabuco, em Vila Isabel, foram encontrados três corpos dentro de um Peugeot preto, pela manhã. Cerca de 120 policiais militares foram deslocados para as favelas, depois que moradores do Morro dos Macacos, por volta das 7h30m, indignados com a retirada do policiamento, queimaram pneus e outros objetos na Rua Visconde de Santa Isabel, em Vila Isabel. Até o início da tarde ontem, o 6º BPM (Tijuca) informou que a ação deixou, pelo menos, quatro policiais feridos. A operação no Morro dos Macacos deixou três jovens e uma criança feridos

A invasão teria sido articulada com traficantes de Manguinhos, do Jacarezinho, do Complexo do Alemão em em uma reunião ocorrida na noite de sexta, às 22h, no Morro São João.

Guerra provoca fuga dos moradores do Morro dos Macacos

Famílias inteiras, muitas mães com carrinhos de bebê, estão deixando o Morro dos Macacos com medo de novos conflitos. "Foi uma noite de caos na casa da minha tia. Ficamos com muito medo. As crianças, assustadas, queriam sair de casa no meio do tiroteio", contou Cristina Soares, de 17 anos, que deixava a comunidade com a mãe, a prima e duas sobrinhas. Elas iam passar a noite em Piabetá. "Mais tarde, o bicho vai pegar", previa.

O técnico em eletrônica, Humberto Cardone, de 36 anos, passou a noite acordado com a família. Todos se deitaram no chão com medo das balas perdidas: "Nunca vi confusão igual. O tiroteiro parecia que não ia acabar, foi a madrugada inteira"

Polícia Militar divulga comunicado sobre confronto

A assessoria de imprensa da Polícia Militar divulgou comunicado sobre a Guerra do Morro dos Macacos:
"Bandidos do Complexo do Alemão e do Jacarezinho invadiram o Morro dos Macacos, através do Morro São João por volta das 3h da manhã deste sábado. O 6º BPM (Tijuca) realizou operação policial para reprimir a ação criminosa. O Bope e o Batalhão de Choque apoiaram essa ação.

Nesta operação um soldado PM do 6º BPM ficou ferido.O helicóptero do Grupamento Aéreo-Marítimo (GAM) pousou para socorrer o mesmo e o levou até o Hospital Central da Polícia Militar. A aeronave voltou ao local para apoiar a operação policial e foi atingida. Houve um princípio de incêndio ainda no ar e o piloto, mesmo atingido por um tiro, conseguiu heroicamente fazer um pouso forçado, num pequeno campo de futebol, impedindo uma tragédia ainda maior. Quatro tripulantes desembarcaram e foram socorridos, mas infelizmente, dois policiais militares não resistiram e faleceram. Um PM ferido está em estado grave.

Foi montado um gabinete de gerenciamento de crise no 6º BPM composto pelo comandante-geral coronel Mario Sergio de Brito Duarte, os chefes do Estado Maior coronel Álvaro Garcia e coronel Carlos Eduardo Milagres, o comandante do 1º Comando de Policiamento de Área (Capital) coronel Marcus Jardim, além dos comandantes dos Batalhões de Choque, coronel Robson Rodrigues e do Bope, coronel Luiz Henrique.

Todos os batalhões do 1º, 2º, 3º e 4º CPAs (capital, grande Niterói, Zona Oeste e Baixada) estão de prontidão. Um grande cerco policial foi montado para busca e captura dos criminosos. Até o momento são três presos. As apreensões estão sendo reunidas para apresentação posterior. Na ação do Morro dos Macacos, três criminosos morreram em confronto, dois policiais militares do GAM faleceram, dois PMs do 6º BPM ficaram feridos, porém, estão fora de perigo. A assessoria de imprensa acrescenta que os ônibus incendiados seriam ações orquestradas pelos criminosos para facilitar a fuga".


Piloto de helicóptero é considerado herói em comunidade
 
O helicóptero Fênix 02, do Grupamento Aéreo Marítimo (GAM), sobrevoava as favelas de Vila Isabel em apoio a outra aeronave, que resgatou um policial ferido no alto do Morro São João. Atingido por uma bala de calibre ainda não identificado, provavelmente no rotor, o helicóptero, que não era blindado, pegou fogo. Alertado pela tripulação do Fênix 03, o piloto, capitão Marcelo Vaz, começou a perder altitude ainda sobre as comunidades e tentou um pouso forçado num campo de futebol da Vila Olímpica do Sampaio, mas a aeronave caiu. Três ocupantes saltaram e ainda resgataram um colega. Dois policiais não conseguiram escapar.

“Esse piloto foi um herói. Estava em casa quando ouvi a explosão e vi uma peça despencando do céu na favela”, contou Dailane Santos, 20, moradora do Morro do Sampaio. Às lágrimas, o comandante da tripulação do Fênix 03, sargento Cordeiro, lembrou da hora em que avisou pelo rádio que o helicóptero estava em chamas. “A aeronave dele estava pegando fogo por todos os lados. Foi uma situação complicada. Disse ao Marcelo ‘desce, desce logo’. Marcelo soube manobrar o helicóptero em chamas e teve equilíbrio emocional para procurar o campo seguro”, desabafou o sargento.

Os PMs mortos na queda são os soldados Marcos Stadler Macedo, 40, e Edney Canazaro de Oliveira, 30. Segundo o IML, os corpos serão liberados após comparação de arcada dentária e digital. Ainda estavam a bordo o capitão Marcelo de Carvalho Mendes, 29, copiloto, que levou tiro de fuzil no pé direito; o cabo Izo Gomes Patrício, 36, que teve 90% do corpo queimado; e o cabo Anderson Fernandes dos Santos, 34, que também sofreu queimaduras.

“Foi cena chocante. A aeronave embicou e desceu, dando a entender que iria se espatifar na Avenida Radial Oeste, em meio a dezenas de carros que transitavam naquele momento”, disse o empresário M.. A cena foi registrada pelo cinegrafista Júnior Alves, do SBT, que estava encurralado com PMs no morro.

A Rua Antunes Garcia, onde fica a Vila Olímpica, foi fechada para o socorro dos PMs. Nesse momento, o helicóptero blindado sobrevoou as comunidades e o tiroteio recomeçou. Moradores das casas que ficam dentro da Vila Olímpica estavam em choque. A estudante K., 17 anos, viu de sua porta a aeronave cair em chamas. “Alguns policiais conseguiram pular, mas ficaram desesperados por não salvar os colegas. Ouvi explosões por causa da munição do helicóptero”, contou.

O barman Rafael Alves, 31, acompanhou o tiroteio e o desastre do telhado de casa, na Rua Soares, no Engenho Novo. “Ouvi o barulho do helicóptero e muitos tiros em seguida. Vi a aeronave dando um giro de 360° sobre a comunidade, antes de o piloto jogar para o campo. Foi um horror ”, lembrou. Há dez anos na PM, o capitão Marcelo Vaz, 38, tem mil horas de voo. Segundo policiais, um piloto com esse perfil é considerado experiente para a função. No GAM, Vaz já havia feito vários cursos sobre pousos de emergência. Ele sofreu queimaduras na mão esquerda.

Capitão ferido no helicoptero é operado

Um dos policiais feridos no helicóptero, o capitão Marcelo Mendes, foi levado ao Hospital da Polícia Militar e está sendo operado nesse momento. Ele sofreu queimaduras no peito e luxação no pé, por causa de um tiro. Está consciente e passa bem.

Após ser operado, Major Busnello passa bem

Responsável pelo sucesso do resgate da refém durante um assalto em Vila Isabel, em setembro, o major João Busnello, 39 anos, foi operado na tarde deste sábado após ser ferido gravemente no Morro dos Macacos e, segundo a assessoria da PM, passa bem. Busnello foi ajudar no reforço da ação e acabou atingido na perna por um tiro. Ele foi levado para o Hospital Central da PM, no Estácio de Sá. Busnello estava de folga e iria à festa de um enteado, na Barra da Tijuca.

Especialista em tiros de precisão, o major nasceu em Iraí, cidade do interior do Rio Grande do Sul, onde seus pais trabalhavam como lavradores. Chegou ao Rio aos 14 anos, com o objetivo de largar as enxadas para sempre. Ao ingressar na corporação, em 1993, Busnello traçou uma meta: fazer parte da elite da PM. De 2002 a 2007, serviu no Batalhão de Operações Especiais (Bope), onde tornou-se um ‘caveira’, grupo de policiais que passa pelo rigoroso Curso de Operações Especiais (COE). Atirador de elite, passou a chefiar o grupamento de tiros de precisão.

No dia 27 de setembro, a empresária Ana Cristina Garrido foi salva pelo tiro preciso de Busnello, quando era mantida refém por mais de uma hora por um bandido armado com uma granada, na Rua Pereira Nunes, na Tijuca. A agonia só terminou quando o policial do 6º BPM, atirador de elite, matou o assaltante com um tiro de fuzil.

O final feliz não aconteceu para Serginho

O final feliz não aconteceu para Sérgio Ferreira Pinto Júnior, o Serginho, 24 anos. Em sua página no Orkut, ele se descreve como um “guerreiro da paz treinado e preparado para a guerra e nascido para amar” e diz: “Sou fiel como um cão de guarda e feroz e faminto como um de caça, mas dócil e amável como um animal domesticado. Sou também mais um guerreiro sobrevivendo nesse mundo injusto e maldoso. Tímido por natureza, paciente por opção e malandro por experiência!”.


Ex-militar do Exército, ele concluiu curso de Montagem e Manutenção de Computadores e chegou a trabalhar no cadastro de idosos e portadores de deficiência no RioCard. Em seu perfil profissional, ele diz que sua escola foi a rua e que estava matriculado no curso “Caçador de Aventura” da faculdade “Vida Loka”. Seu trabalho foi definido por ele como “Profissão Perigo: perigoso, mas lucrativo” e suas habilidades profissionais foram descritas como “belas artes e jóias raras”.

Abaixo do seu apelido na página do site de relacionamentos – “Serginho Abençoado & Iluminado” – ele escreveu a frase: “Paz, Justiça e Liberdade” – lema da facção criminosa Comando Vermelho (CV).
Em um dos seus álbuns de fotos, o criminoso – que já tinha duas passagens pela Polícia e já havia cumprido pena por porte de arma, desobediência, estelionato e furto – postou fotos de uma praia e uma cabana na montanha, revelando que aquele era o sonho dele para o futuro: “meu lar se deus kizer”, diz, embaixo de uma das imagens.


Em outro álbum, ele posta a foto de uma pistola e escreve: “meu direito de defesa”. Há também fotos de um passeio feito em Itatiaia, em julho do ano passado. O criminoso, que, em nove meses de prisão, nunca recebeu visita da família, estava em liberdade desde abril, quando foi solto pela Justiça por falta de julgamento.



Primos fuzilados na volta de festa
Família de três mortos contesta versão de que rapazes seriam criminosos

Nas estatísticas divulgadas ontem pela Secretaria de Segurança, quatro jovens que estavam em um Peugeot preto metralhado por traficantes durante a invasão ao Morro dos Macacos foram chamados de bandidos. Mas nenhum deles tem anotação criminal, segundo o sistema da Polícia Civil, e todos tinham empregos fixos. Primos, os mecânicos Marcelo da Costa Ferreira Gomes, 26 anos, o auxiliar administrativo da Clínica São Victor Leonardo Fernandes Paulino, 27, e o mecânico Francisco Ailton Vieira da Silva, 25, morreram na hora. Irmão deste, o atendente do Habib’s Francisco Alailton Vieira da Silva, 22, permanecia em estado grave no Hospital do Andaraí até o fim da noite de ontem.

Enquanto o secretário José Mariano Beltrame incluía o nome dos jovens na lista de bandidos mortos, um tio dos rapazes revoltava-se assistindo à entrevista na televisão. José Marconi Andrade, 48, pegou um táxi e se dirigiu para a sede da secretaria em busca de justiça, mas foi barrado na porta. “Quero ver ele falar isso na minha frente. Eles eram trabalhadores de bem, estavam apenas comemorando a compra do carro”, afirmou, abalado.

Nascidos e criados no Morro dos Macacos, os primos voltavam de uma festa, por volta das 2h, quando foram surpreendidos pelos invasores na Rua Senador Nabuco, na favela. Segundo testemunhas, o carro recém-comprado de Leonardo foi metralhado sem chance de defesa, e os rapazes ainda tiveram documentos e celulares roubados. “A polícia nem subiu para retirar os corpos dos meninos. Nós que descemos o morro com eles embalados em lençóis. Era um cenário de guerra, havia mais de 20 corpos espalhados pelo chão”, disse um familiar, que pediu para não ser identificado. Leonardo comemoraria ontem o aniversário de 5 anos do filho com uma festa.

Outro morto no confronto, Alcinei de Oliveira Justino, 23, também foi contabilizado pela polícia na lista de bandidos. Sua irmã, Marinéia, afirma que ele era servente de obras. “ Morávamos juntos no Morro dos Macacos e ele trabalhava com meu marido”, disse ela. Chocados, parentes dos jovens mortos passaram mal no Hospital do Andaraí e precisaram de atendimento médico. O enterro dos primos Marcelo, Leonardo e Francisco será hoje, às 15h, no Cemitério do Catumbi.

Moradores abandonam casas na comunidade

Durante todo o dia, dezenas de moradores do Morro dos Macacos podiam ser vistos abandonando suas casas, levando pertences em sacos plásticos embrulhados em lençóis. O comércio próximo aos acessos do morro fechou em alguns pontos. Nos locais onde continuou funcionando, o movimento foi muito pequeno.

Apesar do risco de nova guerra, parentes dos quatro jovens do Peugeot não pretendem sair do morro, onde a família vive há mais de 30 anos. “Em 33 anos de Morro dos Macacos, nunca tinha visto coisa igual. Eu criei meus filhos aqui e nunca se envolveram com o crime nem usaram drogas. O mundo acabou para mim, mas não vou sair da minha casa. O Rio de Janeiro todo está tomado pela violência”, disse a dona de casa Maria da Costa Ferreira Gomes, 52 anos, mãe de Marcelo Ferreira Gomes.

Mãe dos dois irmãos baleados, Maria Luisa Vieira da Silva, 47, conta que os filhos moravam com o pai, no morro: “Eu já desanimei dessa cidade, é morte todo dia. Se eu soubesse quem fez isso aos meus filhos, eu me vingaria”.

Ontem, o filho de Leonardo Fernandes Paulino, dono do carro metralhado, comemoraria seu aniversário de 5 anos. A festa, que estava sendo preparada pelo pai, teve de ser cancelada. Francisco Alailton, atingido por tiros no braço e internado em estado grave, é pai de um menino de um ano e cinco meses e sua mulher está grávida de três meses.

Chefe da Polícia Civil: 'A reposta vai vir da mesma maneira e na hora certa'


Em entrevista coletiva concedida no início da noite desde sábado, o chefe da Polícia Civil, Alan Turnowski, afirmou que as autoridades já têm uma estratégia traçada para dar uma resposta aos criminosos responsáveis pelos confrontos no Morro São João e dos Macacos, ambos localizados na Zona Norte do Rio.

Na ação, dois policiais militares morreram após queda de um helicóptero da Polícia Militar atingido por disparos de traficantes. Outros seis militares - um major, um capitão e três cabos - foram feridos e dez criminosos acabaram mortos, um homem foi preso e um adolescente apreendido. Outros oito ônibus foram incendiados e destruídos.

'A gente sabe quem foi, como foi, e a resposta vai vir da mesma maneira e na hora certa. No momento, 500 homens da Polícia Civil estão nas ruas em pontos em que os bandidos de determinada facção podem vir a prejudicar. O setor inteligência está de prontidão", disse Alan Turnowski.
O comandante geral da Polícia Militar, coronel Mário Sérgio Duarte, confirmou que as polícias estão unidas no combate à criminalidade.

"A Polícia Militar vai trabalhar para também dar uma resposta. Eles (bandidos) vão ser vítimas de suas próprias escolhas", disse Mário Sérgio.

Turnowski disse, ainda, que a população pode esperar por um bom trabalho das polícias para que o episódio de violência deste sábado não caia no esquecimento.

"Quem fez isso vai ter o mesmo fim de seus antecessores. A Polícia Civil está solidária com a Polícia Militar e vamos trabalhar ainda com mais força contra a criminalidade", disse Turnowski.

Tropa especial para evitar confronto entre traficantes

Dois mil policiais civis e militares farão parte do esquema. Gabinete de crise foi montado no 6º BPM para a operação e folgas estão suspensas


O secretário de Segurança Pública, José Mariano Beltrame, anunciou ontem um megaesquema de policiamento, com mobilização de 2 mil policiais civis e militares. Eles tiveram folgas suspensas e estão de prontidão, inclusive os da Baixada e de Niterói. A missão é conter confrontos entre traficantes e ataques a ônibus. Ontem, PMs do Batalhão de Operações Especiais (Bope) e do 3º BPM (Méier) fizeram buscas nos morros dos Macacos e São João, em Vila Isabel.

Um gabinete de crise foi montado no 6º BPM (Tijuca), de onde a cúpula da segurança acompanhou a operação, sem data para acabar. Para conter os confrontos entre as facções criminosas Comando Vermelho (CV) e Amigos dos Amigos (ADA) foram montados cercos nos complexos da Penha e Alemão, Manguinhos e Jacarezinho, todas do CV, além do Morro do São Carlos e da Rocinha, da ADA. “Foi uma ação desesperada do tráfico para recuperar espaço e dinheiro que perderam. A criação das Unidades de Polícia Pacificadora contribuiu para isso. Ataques não vão desviar nossa estratégia”, disse Beltrame.

A mobilização das polícias começou cedo. Pela manhã, o chefe de Polícia Civil, Allan Turnowski, determinou que agentes da Capital fossem convocados. A maior parte ficou nas ruas, e, outro grupo, no Centro de Inteligência da Civil. “Nada ficará sem resposta. Sabemos o motivo e quem foi o responsável. A resposta virá. Outras invasões já aconteceram. O que diferenciou a de hoje (ontem) foi a queda do helicóptero”, avaliou Turnowski. “Não estamos movidos por sentimento de vingança, mas de justiça. Eles (bandidos) serão vítimas de suas próprias escolhas”, avisou o comandante-geral da PM, Mário Sérgio.

Fabiano Atanázio da Silva, o FB, da Vila Cruzeiro, chegou ao Macacos após a invasão e saiu à tarde. Há dois meses, policiais civis receberam a informação de que ele tinha planos de derrubar um helicóptero. Ontem, ele teria dado ordens para os criminosos usarem um míssil antiaéreo comprado por R$ 200 mil. Na operação foram apreendidos seis fuzis; uma carabina ponto 30; duas pistolas; 20 quilos de maconha; 1.450 munições. Quatro motos e oito carros foram recuperados.

Ministro oferece ao Rio homens e helicóptero

O ministro da Justiça, Tarso Genro, colocou à disposição do governo do Rio os homens da Força Nacional de Segurança. Além disso, garantiu recursos para aquisição de um novo helicóptero. “Podemos emprestar de imediato uma aeronave da Força de Segurança”, disse o ministro, que lamentou as mortes. Desde 2008, o governo federal liberou R$ 450 milhões para a segurança do Rio.

O deputado federal Marcelo Itagiba (PMDB-RJ) fez crítica ao estado. “Uma política forte de combate aos traficantes não pode ser feita com maquiagem, como a ação no Dona Marta”, disse. O deputado federal Raul Jungmann (PPS-PE) contou que esteve na Polinter, perto do Morro dos Macacos, há uma semana, e viu as marcas de fuzil nos prédios. “O forte armamento veio da polícia do Rio ou das Forças Armadas. Precisamos de legislação que agrave a pena para quem estiver com esse tipo de fuzil”.