domingo, 11 de março de 2012

REFLEXÃO - DE PROFESSOR A POLICIAL


Dando uma olhada na internet, dei de cara com esse texto, que nos fala de um professor de criminologia, que tentou entender e saber como se passa o dia-a-dia de um policial. Texto longo é verdade, porém interessantíssimo e que vale a pena ser lido e refletido por todos, para que conheçamos realmente a realidade da vida policial e não defendamos, muitas vezes sem saber, teses infundadas que agradam a alguns que infelizmente não querem ver a realidade. Criticar é muito Fácil!

DE PROFESSOR A POLICIAL
Por George L. Kirkham, professor assistente da Escola de Criminologia da Universidade da Flórida, EUA.

Como professor de Criminologia, tive problemas durante algum tempo, devido ao fato de que, seguindo a maioria daqueles que escrevem livros sobre assuntos policiais, eu nunca havia sido policial. Contudo, alguns elementos da comunidade acadêmica norte-americana, tal como eu, vimos muitas vezes erros da nossa polícia. Dos incidentes que lemos nos jornais, formamos imagens estereotipadas, como as do policial violento,racista, venal ou incorreto. O que não vemos são os milhares de dedicados agentes da polícia, homens e mulheres, lutando e resolvendo problemas difíceis para preservar nossa sociedade e tudo que nos é caro.
 
Muitos dos meus alunos tinham sido policiais, e eles várias vezes opunham às minhas críticas o argumento de que uma pessoa só poderia compreender o que um agente da polícia tem de suportar quando se sentisse na pele de um policial. Por fim, me decidi a aceitar o desafio. Entraria para a polícia e, assim, iria testar a exatidão daquilo que vinha ensinando. Um dos meus alunos (um jovem agente que gozava licença para freqüentar o curso, pertencente à Delegacia de Polícia de Jacksonville, Flórida) me incitou a entrar em contato com o Xerife Dale Carson e o Vice-Xerife D. K. Brown e explicar-lhes minha pretensão.

LUTANDO POR UM DISTINTIVO
Jacksonville parecia-me o lugar ideal. Um porto marítimo e um centro industrial em crescimento acelerado. Ali ocorriam, também, manifestações dos maiores problemas sociais que afligem nossos tempos: crime, delinqüência, conflitos raciais, miséria e doenças mentais. Tinha, igualmente, a habitual favela e o bairro reservado aos negros. Sua força policial, composta por 800 elementos, era tida como uma das mais evoluídas dos Estados Unidos.

Esclareci ao Xerife Carson e ao Vice-Xerife Brown de que pretendia um lugar não como observador, mas como patrulheiro uniformizado, trabalhando em expediente integral durante um período de quatro a seis meses. Eles concordaram, mas impuseram também a condição de que eu deveria, primeiro, preencher os mesmos requisitos que qualquer outro candidato a policial, uma investigação completa do caráter, exame físico, e os mesmos programas de treinamento. Haveria outra condição com a qual concordei prontamente em nome da moral. Todos os outros agentes deviam saber quem eu era e o que estava fazendo ali. Fora disso, em nada eu me distinguiria de qualquer agente, desde o meu revólver Smith and Wesson.38 até o distintivo e o uniforme.

O maior obstáculo foram as 280 horas de treinamento estabelecidas por lei. Durante quatro meses (quatro horas por noite e cinco noites por semana), depois das tarefas de ensino teórico, eu aprendia como utilizar uma arma, como me aproximar de um edifício na escuridão, como interrogar suspeitos, investigar acidentes de trânsito e recolher impressões digitais. Por vezes, à noite, quando regressava a casa depois de horas de treinamento de luta para defesa pessoal, com os músculos cansados, pensava que estava precisando era de um exame de sanidade mental por ter-me metido naquilo. Finalmente, veio a graduação e, com ela, o que viria a ser a mais compensadora experiência da minha vida.

PATRULHANDO A RUA
Ao escrever este artigo, já completei mais de 100 rondas como agente iniciado, e tantas coisas aconteceram no espaço de seis meses que jamais voltarei a ser a mesma pessoa. Nunca mais esquecerei também o primeiro dia em que montei guarda defronte à porta da Delegacia de Jacksonville. Sentia-me, ao mesmo tempo, estúpido e orgulhoso no meu novo uniforme azul e com a cartucheira de couro.

A primeira experiência daquilo que eu chamo de minhas "lições de rua" aconteceu logo de imediato. Com meu colega de patrulha, fui destacado para um bar, onde havia distúrbios, no centro da zona comercial da cidade.

Encontramos um bêbado robusto e turbulento que, aos gritos, se recusava a sair. Tendo adquirido certa experiência em admoestação correcional, apressei-me a tomar conta do caso.

"Desculpe amigo", disse eu, sorridente, "Não quer dar uma chegadinha aqui fora para bater um papo comigo?" O homem me encarou incrédulo, com os olhos vermelhos. Cambaleou e me deu um empurrão no ombro. Antes que eu tivesse tempo de me recuperar, chocou-se de novo comigo e, desta vez, fazendo saltar da dragona à corrente que prendia meu apito. Após breve escaramuça, conseguimos levá-lo para a radiopatrulha.

Como professor universitário, eu estava habituado a ser tratado com respeito e deferência e, de certo modo, presumia que isso iria continuar assim em minhas novas funções. Estava, porém, aprendendo que meu distintivo e uniforme, longe de me protegerem do desrespeito, muitas vezes atuavam como um imã atraindo indivíduos que odiavam o que eu representava. Confuso, olhei para meu colega, que apenas sorriu.

TEORIA E PRÁTICA
Nos dias e semanas seguintes, eu iria aprender mais coisas. Como professor, sempre procurava transmitir aos meus alunos a idéia de que era errado exagerar o exercício da autoridade, tomar decisões por outras pessoas ou nos basearmos em ordens e mandatos para executar qualquer tarefa. Como agente de polícia, porém, fui muitas vezes forçado a fazer exatamente isso. Encontrei indivíduos que confundiam gentileza com fraqueza - o que se tornava um convite à violência. Também encontrei homens, mulheres e crianças que, com medo ou em situações de desespero, procuravam auxílio e conselhos no homem uniformizado.

Cheguei à conclusão de que existe um abismo entre a forma como eu, sentado calmamente no meu gabinete com ar condicionado, conversava com o ladrão ou assaltante à mão armada, e a maneira pela qual os patrulheiros lidam com esses homens - quando eles se mostram violentos, histéricos ou desesperados. Esses agressores, que anteriormente me pareciam tão inocentes, inofensivos e arrependidos depois do crime cometido, como agente de polícia, eu os encarava pela primeira vez como uma ameaça à minha segurança pessoal e a da nossa própria sociedade.

APRENDENDO COM O MEDO
Tal como o crime, o medo deixou de ser um conceito abstrato para mim, e se tornou algo bem real, que por várias vezes senti: era a estranha impressão em meu estômago, que experimentava ao me aproximar de uma loja onde o sinal de alarme fora acionado; era uma sensação de boca seca quando, com as lâmpadas azuis acesas e a sirena do carro ligada, corríamos para atender a uma perigosa chamada onde poderia haver tiroteio.

Recordo especialmente uma dramática lição no capítulo do medo. Num sábado à noite, patrulhava com meu colega uma zona de bares mal freqüentados e casas de bilhares, quando vimos um jovem estacionar o carro em fila dupla. Dirigimo-nos para o local, e eu pedi que arrumasse devidamente o automóvel, ou então que fosse embora, ao que ele respondeu inopinadamente com insultos. 
 
Ao sairmos da radiopatrulha e nos aproximarmos do homem, a multidão exaltada começou a nos rodear. Ele continuava a nos insultar, recusando-se a retirar o carro. Então, tivemos que prendê-lo. Quando o trouxemos para a viatura da polícia, a turba nos cercou completamente. Na confusão que se seguiu, uma mulher histérica abriu meu coldre e tentou sacar meu revólver.

De súbito, eu estava lutando para salvar minha vida. Recordo a sensação de verdadeiro terror que senti ao premir o botão do armeiro na radiopatrulha onde se encontravam nossas armas longas. Até então, eu sempre tinha defendido a opinião de que não devia ser permitido aos policiais o uso de armas longas, pelo aspecto "agressivo" que denotavam, mas as circunstâncias daquele momento fizeram mudar meu ponto de vista, porque agora era minha vida que estava em risco.
 
Senti certo amargor quando, logo na noite seguinte, voltei a ver, já em liberdade, o indivíduo que tinha provocado aquele quase motim - e mais amargurado fiquei quando ele foi julgado e, confessando-se culpado, condenaram-no a uma pena leve por "violação da ordem".

VÍTIMAS SILENCIOSAS
 Dentre todas as trágicas vítimas que vi durante seis meses, uma se destacou. No centro da cidade, num edifício de apartamentos, vivia um homem idoso que tinha um cão. Era motorista de ônibus aposentado. Encontrava-os quase sempre na mesma esquina, quando me dirigia para o serviço, e por vezes me acompanhavam durante alguns quarteirões.

Certa noite fomos chamados por causa de um tiroteio numa rua perto do edifício. Quando chegamos, o velho estava estendido de costas no meio de uma grande poça de sangue. Fora atingido no peito por uma bala e, em agonia, me sussurrou que três adolescentes o tinham interceptado e lhe exigiram dinheiro. Quando viram que tinha tão pouco, dispararam e o abandonaram na rua.

Em breve, comecei a sentir os efeitos daquela tensão diária a que estava sujeito. Fiquei doente e cansado de ser ofendido e atacado por criminosos que depois seriam quase sempre julgados por juizes benevolentes e por jurados dispostos a conceder aos delinqüentes "nova oportunidade de se reintegrarem ao convívio da sociedade". 
 
Como professor de Criminologia, eu dispunha do tempo que queria para tomar decisões difíceis. Como policial, no entanto, era forçado a fazer escolhas críticas em questão de segundos (prender ou não prender, perseguir ou não perseguir), sempre com a incômoda certeza de que outros, aqueles que tinham tempo para analisar e pensar, estariam prontos para julgar e condenar aquilo que eu fizera ou aquilo que não havia feito.

Como policial, muitas vezes fui forçado a resolver problemas humanos incomparavelmente mais difíceis do que aqueles que enfrentara para solucionar assuntos correcionais ou de sanidade mental: rixas familiares, neuroses, reações coletivas perigosas de grandes multidões, criminosos. Até então, estivera afastado de toda espécie de miséria humana que faz parte do dia a dia da vida de um policial.

BONDADE EM UNIFORME
Freqüentemente, fiquei espantado com os sentimentos de humanidade e compaixão que pareciam caracterizar muitos dos meus colegas agentes da polícia. Conceitos que eu considerava estereotipados eram, muitas vezes, desmentidos por atos de bondade: um jovem policial fazendo respiração boca-a-boca num imundo mendigo, um veterano grisalho levando sacos de doces para as crianças dos guetos, um agente oferecendo a uma família abandonada dinheiro que provavelmente não voltaria a reaver.

Em conseqüência de tudo isso, cheguei a humilhante conclusão de que tinha uma capacidade bastante limitada para suportar toda a tensão a que estava sujeito. Recordo em particular certa noite, em que o longo e difícil turno terminara com uma perseguição a um carro roubado. 
 
Quando largamos o serviço, eu me sentia cansado e nervoso. Com meu colega, estava me dirigindo para um restaurante a fim de comer qualquer coisa, quando ouvimos o som de vidros que se partiam, proveniente de uma igreja próxima, e vimos dois adolescentes cabeludos fugindo do local. Nós os alcançamos e pedi a um deles que se identificasse. Ele me olhou com desprezo, xingou-me e virou as costas com intenção de se afastar. Não me lembro do que senti. Só sei que o agarrei pela camisa, colei seu nariz bem no meu e rosnei: "Estou falando com você, seu cretino!"

Então meu colega me tocou no ombro, e ouvi sua confortante voz me chamando à razão: "Calma, companheiro!" Larguei o adolescente e fiquei em silêncio durante alguns segundos. Depois me recordei de uma das minhas lições, na qual dissera aos alunos: "O sujeito que não é capaz de manter completo domínio sobre suas emoções, em todas as circunstâncias, não serve para policial".

Desafio complicado. Muitas vezes perguntara a mim próprio: "Por que uma pessoa quer ser policial?" Ninguém está interessado em dar conselhos a uma família com problemas às três da madrugada de um domingo, ou em entrar às escuras num edifício que foi assaltado, ou em presenciar, dia após dia, a pobreza, os desequilíbrios mentais, as tragédias humanas. O que faz um policial suportar o desrespeito, as restrições legais, as longas horas de serviço com baixo salário, o risco de ser assassinado ou mutilado?

A única resposta que posso dar é baseada apenas na minha curta experiência como policial. Todas as noites eu voltava para casa com um sentimento de satisfação e de ter contribuído com algo para a sociedade - coisa que nenhuma outra tarefa me havia dado até então.

Todo agente de polícia deve compreender que sua aptidão para fazer cumprir a lei, com a autoridade que ele representa, é a única "ponte" entre a civilização e o submundo dos fora-da-lei. De certo modo, essa convicção faz com que todo o resto (o desrespeito, o perigo, os aborrecimentos) mereça que se façam quaisquer sacrifícios.

sexta-feira, 3 de fevereiro de 2012

O MUNDO SEM POLÍCIA

O canal de TV a cabo “History Channel” exibiu um excelente documentário, com o título “O mundo sem ninguém.” Quais as consequências e os desdobramentos da civilização, se acaso a humanidade desaparecesse? O que iria acontecer em uma hora, em uma semana, em meses, centenas e milhares de anos, caso o homem não mais existisse? O excelente documentário nos leva a reflexão, e por fim, demonstra nossa insignificância perante as forças da natureza. 
 
Ao refletir sobre vários episódios, nos quais a polícia é criticada e humilhada, especificamente sobre o mais recente, onde a quase aposentada cantora Rita Lee chama, durante um show em Aracaju, os policiais de “cachorros”, não esquecendo de generalizar a origem materna dos que ali se encontravam para cumprimento da lei, como sendo todos oriundos do baixo meretrício, imaginei como seria, assim como no documentário, um mundo sem polícia. O que aconteceria se, de uma hora para outra, todos os policiais desaparecessem?

Vamos nos ater ao Rio de Janeiro, em um mundo sem policia. Nas primeiras horas, não haveria muita diferença. As pessoas, aos poucos, iriam procurar a certeza de que realmente não mais existia a polícia. Os ricos demonstrariam um pouco de preocupação, ainda sem querer acreditar.

Uma semana sem polícia. Nesta primeira semana, a maioria das pessoas daria início a pequenas transgressões. Os sinais de trânsito não mais seriam respeitados. Os mais afoitos começam a entrar em lojas, restaurantes e supermercados, e de lá sairiam sem pagar. Não agiriam como ladrões, nervosos e correndo. Agiriam com calma e cinismo.

Um mês sem polícia. A Justiça faria uma reunião de emergência. O ponto principal a se discutir seria como viabilizar as decisões dos juízes, sejam prisões, reintegração de posse, ou qualquer cumprimento obrigatório de uma ordem judicial. Não chegaria a nenhuma conclusão, pelo simples fato de que não há mais a polícia para fazer cumprir a lei. Surge um mercado negro efervescente de venda de armas. Todos querem ter uma.

Seis meses sem polícia. Os homicídios multiplicam-se por dez. Os corpos permanecem nas ruas. Não há mais os bombeiros e nem peritos, e nem policiais para investigar. Almas ainda caridosas recolhem os corpos. 
 
Os políticos, antes detentores de um imenso poder, são caçados como galinhas gordas, e executados friamente. Alguns oferecem seus bens em troca da vida. Os presídios foram abertos, já que não mais existem guardas, e uma imensa horda de criminosos passa a vagar pelas ruas. As agências bancárias não mais funcionam, face ao grande número de roubos.

Um ano sem polícia. A cidade se torna um caos. Grupos armados passam a dominar ruas e bairros. O dinheiro deixa de circular pela inexistência dos bancos. Os ricos constroem apressadamente bunkers. Não há para onde fugir, pois em todo o mundo não há mais polícia.

Dois anos sem polícia. O comércio como no passado não mais existe. Volta-se ao escambo. A regularidade é o roubo, a extorsão e o homicídio.

Dez anos sem a polícia. A sociedade encontra-se totalmente esfacelada. Todos os sistemas de produção foram dizimados. A população foi reduzida em mais de quarenta por cento, e continua diminuindo face a imensa matança. Mata-se por qualquer motivo, desde uma antiga desavença até mesmo porque não se gostou da forma como o outro nos olhou. Os grupos que se formam tornam-se mais poderosos pela força, expandem seus domínios, e passam a sequestrar e escravizar pessoas, principalmente mulheres. Os homens são obrigados a trabalhos forçados.
 
Vinte anos sem a polícia. Os limites geográficos antes conhecidos como cidades e bairros não mais existem. Foram reordenados pelos grupos que impuseram seus domínios, e receberam nova denominação. Água, comida e agasalho serão acessíveis apenas aos que possam conseguir pela violência. Os mais fracos mendigam. As mansões e os prédios de luxo foram tomados dos mais ricos. Bandos de vândalos e saqueadores perambulam pela noite, matando, roubando e destruindo. O consumo de drogas é afinal totalmente liberado. A cultura e a produção literária deixaram de existir em dez anos no mundo sem polícia. Os mais novos não aprenderam nem a ler. Aliada aos homicídios generalizados, as doenças matam ainda mais. Não se produz nenhum tipo de remédio, exceto os caseiros. A sociedade como a conhecíamos, com uma policia tentando manter a lei e a ordem, acabou. Prevalece a barbárie, a lei do mais forte. A existência do homem aproxima-se do fim.

No túmulo, a cantora Rita Lee, que dezenas de anos antes chamou os policiais de cachorros e filhos de prostituta, chora ao saber da desgraça, e pede desculpas. Mas agora é tarde. No mundo sem polícia, a sociedade acabou.

FONTE: http://extra.globo.com/casos-de-policia/aurilio-nascimento/o-mundo-sem-policia-3796007.html

terça-feira, 24 de janeiro de 2012

CARTA DE UM POLICIAL MORTO EM SERVIÇO

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Policial morto por adolescente em Poconé deixou carta antes de morrer em serviço O soldado da Polícia Militar de Poconé (104 Km de Cuiabá), Alex Suzarte, assassinado na madrugada de sábado (21.01.2012), deixou uma carta a sua esposa, lida em seu velório, mostrando a tensão que vivia na rotina policial.

Ele foi ferido com um tiro na face, depois de ter entrado em luta corporal, na tentativa de deter, em flagrante, um dos suspeitos de uma tentativa de assalto a uma lanchonete no município.

A PM foi comunicada que 2 homens tentaram roubar o estabelecimento durante a procissão realizada na madrugada em comemoração ao aniversário de Poconé.

Os policiais saíram em busca dos suspeitos e ao alcançá-los, em um matagal, seguiram para lados opostos. Suzarte tentou deter Edson Antonio da Silva, 32, enquanto seu colega, o soldado Leonardo, saiu em busca do menor L.F., 17. Ao perceber que o amigo foi ferido, o soldado foi prestar socorro e os bandidos acabaram fugindo.

Suzarte foi encaminhado ao atendimento médico, mas devido à gravidade do ferimento, faleceu momentos depois. O menor foi detido por volta das 10h e cerca de 70 policiais e 10 viaturas de 7 municípios do Comando Regional II da Polícia Militar trabalham nas operações de busca de Edson.

O soldado, filho de um agente prisional, deixou esposa, 3 filhos e uma carta que deveria ser lida caso morresse. A mensagem foi dedicada a todos os policiais e mostra o orgulho pela profissão e a tensão que ele vivia na rotina de trabalho.

domingo, 1 de janeiro de 2012

FELIZ ANO NOVO

FELIZ OLHAR NOVO!
O grande barato da vida é olhar para trás e sentir orgulho da sua história.

O grande lance é viver cada momento como se a receita da felicidade fosse o AQUI e o AGORA.

Claro que a vida prega peças. É lógico que, por vezes, o pneu fura, chove demais..., mas, pensa só : tem graça viver sem rir de gargalhar pelo menos uma vez ao dia?
Tem sentido ficar chateado durante o dia todo por causa de uma discussão na ida pro trabalho?

Quero viver bem! Este ano que passou foi um ano cheio.
Foi cheio de coisas boas e realizações, mas também cheio de problemas e desilusões. Normal.
As vezes a gente espera demais das pessoas. Normal.
A grana que não veio, o amigo que decepcionou, o amor que acabou. Normal.

O ano que vai entrar não vai ser diferente.
Muda o ano, mas o homem é cheio de imperfeições,
A natureza tem sua personalidade que nem sempre é a que a gente deseja, mas e aí?
Fazer o que? Acabar com o seu dia? Com seu bom humor? Com sua esperança?

O que eu desejo para todos é SABEDORIA!
E que todos saibamos transformar tudo em boa experiência!
Que todos consigamos perdoar o desconhecido, o mal educado.
Ele passou na sua vida. Não pode ser responsável por um dia ruim...
Entender o amigo que não merece nossa melhor parte.
Se ele decepcionou, passe-o para a categoria 3.
Ou mude-se de classe, transforme-o em colega.
Além do mais, a gente, provavelmente, também já decepcionou alguém.

O nosso desejo não se realizou? Beleza, não estava na hora...
Não deveria ser a melhor coisa pra esse momento.
Me lembro sempre de um lance que eu adoro:
“CUIDADO COM SEUS DESEJOS, ELES PODEM SE TORNAR REALIDADE”.

Chorar de dor, de solidão, de tristeza, faz parte do ser humano.
Não adiante lutar contra isso.
Mas se a gente se entende e permite olhar o outro e o mundo com generosidade,
As coisas ficam bem diferentes.

Desejo para todo mundo esse olhar especial.

O ano que vai entrar pode ser um ano especial, muito legal,
Se entendermos nossas fragilidades e egoísmos e dermos a volta nisso.
Somos fracos, mas podemos melhorar.
Somos egoístas, mas podemos entender o outro.
O ano que vai entrar pode ser o bicho, o máximo, maravilhoso, lindo, espetacular...ou...
Pode ser puro orgulho!
Depende de mim, de você! Pode ser.
E que seja!!!

FELIZ OLHAR NOVO!!!
Que o ano que inicia seja do tamanho que você fizer.
Que a virada do ano não seja somente uma data,
Mas um momento para repensarmos
Tudo o que fizermos e que desejamos,
Afinal sonhos e desejos podem se tornar realidade
Somente se fizermos jus e acreditarmos neles!

Autor: Carlos Drummond de Andrade

domingo, 11 de dezembro de 2011

PACIFICAÇÃO FAZ DISPARAR VALOR DOS IMÓVEIS NA ROCINHA

A chegada da segurança à favela transforma imediatamente a economia do local. A pesquisa “UPP e a economia da Rocinha e do Alemão: do choque de ordem ao de progresso”, da FGV, constata que depois da instalação de Unidades de Polícia Pacificadora os aluguéis têm valorização 6,8% superior à do ‘asfalto’. Antes das UPPs, os aluguéis eram 25% mais baixos nas áreas de favela – quando comparados a imóveis de características semelhantes na cidade formal. O mercado imobiliário é onde ocorre a transformação mais rápida de valores, e, por isso, um bom termômetro da economia da favela.

A dois dias de a ocupação policial na Rocinha, Vidigal e Chácara do Céu, em São Conrado, completar um mês, moradores das três comunidades carentes e do asfalto veem a valorização imobiliária ferver feito as temperaturas do verão. No Vidigal, um terreno com 10 casas, no alto do morro, está sendo vendido por R$ 1 milhão. Em São Conrado, empreendimento recém-lançado no espaço onde ficava uma concessionária de carros já vendeu 90% dos apartamentos em 48h.

A disparada dos preços é o cenário mais visível dos benefícios que a expulsão do tráfico levou a mais de 130 mil pessoas que vivem na região. Da janela de casa, colocada à venda no alto do Vidigal, a dona de casa Lúcia Rodrigues Cabral, 47 anos, e filha, a estudante Isabela Cabral, 20, enumeram outros benefícios, além da oportunidade se mudar para uma casa melhor, ‘perto do asfalto’: desde o dia da operação policial, em 13 de novembro, não ouvem barulho de fogos na favela.

“Os fogos anunciavam a chegada da polícia. Isso acabou. O sonho da paz aconteceu. Agora, planejamos mais mudanças para essa nova vida”, conta Lúcia, contemplando uma das mais belas vistas do Rio. “Vamos nos mudar, mas, sair do Vidigal, nunca”, completa a estudante.

Sem o poder do tráfico, moradores reconquistaram, além do território, a liberdade, o que pode ser percebido quando são analisados os números de atendimento na UPA da Rocinha. Comparando outubro e dezembro, há aumento de 20% no atendimento de casos de menor gravidade após 22h, o que, segundo médicos na unidade, não acontecia antes da pacificação.
O mercado imobiliário na Rocinha é intenso. Muitos dos que vão trabalhar no morro acabam por se estabelecer por lá. Foi o caso dos funcionários das obras do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC) e de muitos vendedores das lojas localizadas dentro da favela, que não são poucas. A imobiliária Passárgada não faz negócio com qualquer interessado. “Não alugamos para gente informal”, diz o corretor Santos. Ele pede os documentos e levanta a ficha no SPC e Serasa. Isso já foi motivo de problemas. “Passamos por repressão por não querer alugar para algumas pessoas. Mas como nasci e fui criado na Rocinha, muita coisa deixou de acontecer comigo”, afirmam Santos, referindo-se a represálias dos criminosos ao negar moradias a traficantes.

O terreno de R$ 1 milhão no Vidigal, segundo os corretores da MS Imobiliária, pode render ainda mais. “O dono pensa em desmembrar as casas. Separadas, podem render o dobro”, avalia o corretor local, Jonas Barcellos.

Na Rocinha, um imóvel pode custar até R$ 130 mil, mesmo em becos ou vielas. “Os preços aqui no bairro, no asfalto, subiram 40%, já no dia seguinte à ação policial. Vivemos realmente um renascimento, após anos de desvalorização”, conta o presidente da Associação de Moradores de São Conrado, José Britz.

Tais valores variam conforme o local e o tamanho da casa. Santos explica que a Rocinha é dividida em três terços: o espaço “dos ricos”, moradores da Estrada da Gávea; da classe média, com imóveis um pouco maiores que a média, cujos donos costumam ter casa na região dos lagos e filhos em escolas particulares; e a Rocinha classe C, composta por pessoas que moram de aluguel. Os preços variam bastante. Um quarto e sala, até antes da ocupação, podia sair por 25 mil reais. Já quando a casa tem dois quartos - coisa rara na Rocinha - o valor chegava a 80 mil reais. Os aluguéis correspondem a 1% do valor do imóvel.

Fila de espera: Aluguel custa R$ 2 mil por mês

A MS Imobiliária é a única que oferece esse tipo de serviço no Vidigal. E por lá já tem até fila de espera para quem quer alugar ou comprar um imóvel. “Temos 18 casas disponíveis e uma fila de 14 pessoas que querem comprar uma casa e mais 34 pessoas dispostas a alugar. Mas, para locação, só temos notícia de um apartamento”, explica o corretor Marcos Vinícius Rocha.

Para alugar o apartamento disponível, o futuro inquilino terá que desembolsar quase R$ 2 mil por mês. Já na Rocinha, quem procura aluguel vai precisar de mais sorte. Por lá, segundo corretores de três imobiliárias da comunidade, não há mais casas.

“Temos fila de espera por aqui também e há uma dificuldade grande em encontrar imóveis para a locação. Por aqui, os imóveis já haviam sido valorizados com as obras do PAC. Agora, aumentou mais”, explica o corretor Fábio Ricardo, da Rocinha.

Investimentos
Moradores festejam melhorias, mas aguardam pelas grandes obras

Na expectativa por mais melhorias, os moradores da Rocinha aguardam, agora, a nova fase do PAC, o Programa de Aceleração do Crescimento, que terá um total de investimento de R$ 700 milhões. As obras de complementação do PAC 1 da favela, que estão paradas, também devem ser retomadas, para a construção, por exemplo,do plano inclinado com três estações, ligando o acesso principal, na Autoestrada Lagoa-Barra, ao Túnel Zuzu Angel.

A Rocinha também vai ganhar um mercado público com três andares, 49 lojas e praça de alimentação no Largo do Boiadeiro. Já no Vidigal, a esperança é que a comunidade também receba intervenções do PAC, o que ainda não está previsto.

Moradores da região também comemoram a primeira festa de Réveillon na Praia de São Conrado, como antecipou dia 2. As atrações ainda não foram definidas pela prefeitura. “Torcemos ainda pela construção do teleférico ligando a Rocinha ao Vidigal”, diz o corretor Jonas Barcellos, ex-presidente da Associação de Moradores do Vidigal.


Números

446 Kg de cocaína foram apreendidos na ocupação, assim como mais de 5 mil kg de maconha e mais de 6 mil pedras de crack, além de ecstasy e cheirinho da loló

259 armas de grosso calibre foram apreendidas — 91 delas, fuzis. Além de 239 explosivos e mais de 60 mil balas de diversos calibres

70 criminosos foram presos em um mês de ocupação. Ao todo, 11 menores foram apreendidos e outros oito criminosos, mortos

64 mil é o número de veículos que passam pelo Túnel Zuzu Angel aos domingos. No dia da operação, foi reduzido para 36 mil.

1.903 pessoas, com casos de baixa complexidade, foram atendidas na UPA, após 22h, nos primeiros dias de dezembro. Em outubro, foram 1.602 atendimentos.

90% dos apartamentos de um empreendimento foram vendidos em 48h. Mais três prédios comerciais serão construídos em São Conrado.

sábado, 10 de dezembro de 2011

Batalhão de Choque com nova "armadura" para a Copa do Mundo

Um tenente do Batalhão de Choque coloca uma armadura articulada, com proteção e amortecimento, capaz de isolar o impacto de pancadas até de barras de ferro. O tenente-coronel Fábio Souza, o zero-um da tropa, pega um bastão e parte para cima do policial. O teste é feito pelo novo comandante, que assumiu o Choque há dois meses, depois de 15 anos no Bope. O tenente treme. A armadura do combatente do futuro, não.

Bati com vontade e não quebrou. Parece uma armadura robotizada, mas com mobilidade — aprova Fábio Souza, num rigoroso “teste científico”, na base da força bruta.

Três desses protótipos, feitos com polímero, uma espécie de borracha resistente, e placas de E.V.A., que dá rigidez e resistência, foram doados pela Compagnies Républicaines de Sécurité (CRS), a polícia nacional francesa, que ministrou um curso de duas semanas para os policiais do Choque, ensinando técnicas de gestão em tumultos em grandes eventos. O primeiro passo para formar uma espécie de policial do futuro no Choque foi dado.

O material está servindo de modelo para a fabricação de armaduras, com previsão de entrega até o fim de 2012. De acordo com o Choque, duas empresas abriram licitação para fabricar os trajes, que devem fazer parte do uniforme da tropa na Copa do Mundo. A Secretaria de Segurança (Seseg) informa que “o Estado faz uma tomada de preços para verificar custos, mas não há nada que indique a compra”. Segundo a nota, a negociação prevê a aquisição de pelo menos 1.260 “equipamentos antitumulto”.

O uniforme é próprio para trabalhar em áreas onde haja uma grande concentração de pessoas.

— O objetivo é impulsionar essa tropa para um lugar de destaque na segurança pública — projeta o major Vinicius Carvalho, subcomandante e ex-integrante do Bope, que aceitou o desafio de trabalhar ao lado de Fábio Souza na reformulação do Choque.

O tenente Leonardo Novo completa o trio de caveiras no Choque. O chefe de instrução é o responsável pelos treinamentos da tropa, que estão fazendo com que os policiais adquiram técnicas que antes eram exclusivas da elite da Polícia Militar do Rio.

Na prática, o primeiro desafio do tenente-coronel Fábio Souza foi na ocupação policial na Rocinha. E a tropa surpreendeu. Lá, todo mundo era suspeito. As incansáveis abordagens “a tudo que se movia”, como lembrou o comandante, desestabilizaram o chefão da comunidade. A prisão de Nem foi a missão dada. E cumprida, sob o comando do caveira.

Tínhamos a informação de que ele estava na Rocinha quatro dias da ocupação. Aí, fechamos o cerco.

No dia anterior à prisão dele, o serviço de inteligência do Choque, em conjunto com a Secretaria de Segurança (Seseg) receberam a informação de que Nem tinha dois planos de fuga: ou sairia num táxi ou numa ambulância, com uma blusa preta e um rabo-de-cavalo.

— Ele (Nem) ficou sem saber o que fazer. Ele ia tentar sair da Rocinha. Senão, ia ser preso lá dentro.
Quando o homem que se identificou como cônsul de Gana se negou a abrir o porta-malas do carro, o tenente Disraeli Gomes ligou pela primeira vez para o comandante.

Quando ele disse que a placa não era do corpo consular, falei que ele teria que abrir o porta-malas. E determinei: “Vamos levar o carro até a Polícia Federal”. A missão foi cumprida. É guerra — lembra o tenente-coronel.


Força Militar: Repressão afeta preço de drogas


Ação militar das Forças Armadas na Fronteira elevou o custo das drogas no Mato Grosso e Mato Grosso do Sul. Segundo relatório apresentado pelo Ministério da Defesa à Vice-Presidência, o custo da pasta base de cocaína subiu 60% em Cáceres (MT) e 65% em Dourados (MS). No meio urbano, a ação repressiva fez a maconha ficar 100% mais cara em Cuiabá (MT) e em Campo Grande (MS).

Os dados obtidos por meio da inteligência conjunta das Forças Armadas e das polícias dos estados dão o tom do ataque ao tráfico de drogas que está sendo empreendido, com risco de vida para os 6.500 militares da Marinha, do Exército e da Aeronáutica empregados na ação. Chamada de Operação Ágata 3, a ação sufocou o tráfico apreensões de entorpecentes, forçando a alta de preços provocada pela escassez de produtos que, segundo um militar ouvido pela coluna, já será sentida pelo tráfico de drogas no Rio e São Paulo no início do ano que vem.

O relatório aponta para resultado prático do aumento da presença militar em massa nas fronteiras e, de forma diplomática, se torna ingrediente no momento que os quartéis brigam por reajuste dos soldos. A definição tem que sair semana que vem.

R$ 62 BI LIBERADOS
O relatório do resultado prático da maior presença militar nas fronteiras chegou à Presidência no mesmo dia em que governo comemorava a vitória no Senado, por 59 votos a 12, da proposta da prorrogação da Desvinculação das Receitas da União (DRU) até 2015. Na prática, a proposta libera o governo federal a gastar como bem desejar 20% de suas receitas, cerca de R$62,4 bilhões.


SILÊNCIO E CRÍTICAS

“O dinheiro que falta no orçamento para o reajuste dos soldos pode resultar dessa folga de caixa que vem da aprovação do Senado”, afirma um observador. Ele avalia que o desgaste que o governo vem sofrendo nas redes sociais visitadas por militares poderia ser minimizado com uma sinalização que o reajuste sairá no ano que vem, mesmo sem um índice definido. “O silêncio vem alimentando críticas e mais críticas”, diz.

REAJUSTE INDIRETO

Na discussão de bastidores em torno do reajuste dos soldos, mais um dado está surpreendendo. A contratação de militares da reserva para Tarefas por Tempo Certo, que resultam em ganho de 30% sobre o contracheque, está sendo usada como política salarial em unidades que vêm sofrendo com pedidos de baixa antecipada. Para manter o funcionamento, o TTC está servindo para atrair quem saiu.

domingo, 4 de dezembro de 2011

UPP da Rocinha vai ser a maior do Rio de Janeiro

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A Unidade de Polícia Pacificadora (UPP) da Rocinha, a 19ª da capital fluminense, vai ser a maior da cidade. O planejamento inicial prevê que 1.100 policiais militares ocupem as favelas da Rocinha e do Vidigal. Hoje, a maior é a UPP da Cidade de Deus, com pouco mais de 500 policiais militares, somadas as três bases da comunidade. Depois vem a da Mangueira, com 403 PMs.

O plano da Polícia Militar é que a UPP seja única para as duas comunidades. O comando ficaria na Rocinha, com um major. Uma outra base será instalada no Vidigal, onde haverá um capitão como responsável.

A Secretaria de Segurança estadual espera apenas a formatura dos novos policiais para destinar o efetivo. O coordenador das UPPs, coronel Rogério Seabra, fará a proposta do número de PMs na Rocinha à pasta.

Para isso, depende, além da da formatura de novos recrutas, do cumprimento da determinação judicial de preencher as vagas de todos os PMs de UPPs que devem transferidos para o interior do Estado, cerca de três mil. Só depois disso, as novas vagas em UPPs serão preenchidas.

A definição da data para a implantação da UPP será dada pelo Batalhão de Operações Policiais Especiais (Bope), na Rocinha, e pelo Batalhão de Choque, no Vidigal. Enquanto isso, ambos ocupam as favelas. Equipes da Corregedoria da PM acompanharão este cerco inicial para evitar abusos ou desvios de conduta.

Policiais do 23º Batalhão de Polícia Militar (BPM), no Leblon, só estarão nas comunidades caso sejam solicitados pelo Bope ou pelo Batalhão de Choque.


Medo e apreensão

O próximo desafio do Estado será ocupar, no dia a dia dos moradores, o espaço que o traficante Antônio Bonfim Lopes, o Nem, e seu assistencialismo mantinham na região. Chefe do tráfico na região desde 2005, Nem explorava serviços clandestinos de gás, transporte alternativo e televisão a cabo.

Os moradores observam com desconfiança a mudança de comando. “Quando vocês (imprensa) forem embora é que o bicho vai pegar", disse um morador que não quis se identificar. Cássia Cristina Silva, 25, filmou a casa inteira com o celular por precaução. "Podem entrar, mas tem que deixar tudo no lugar". Outro carioca que pediu para não ter o nome divulgado afirmou que “o tráfico vai voltar. Nem era só um representante, quem manda ainda está aí”. (da Folhapress)


ENTENDA A NOTÍCIA

Embora a polícia tenha espalhado panfletos pedindo que a população denuncie criminosos, moradores dizem que não irão dar informações por medo de represálias. O desafio da UPP será resgatar a confiança na região.

SAIBA MAIS

A ocupação da Rocinha repercutiu até mesmo na imprensa internacional. O jornal espanhol El País, o britânico The Guardian, o argentino Clarín e a rede de TV norte-americana CNN foram alguns dos que acompanharam a ação em suas páginas na Internet.

A atenção à ocupação deve-se ao fato de a Rocinha ser uma das maiores do Rio, considerada peça-chave na pacificação do estado.