terça-feira, 26 de maio de 2009

Lei das Cotas

Estado encaminhará recurso para que vestibular não mude este ano

O secretário estadual de Ciência e Tecnologia, Alexandre Cardoso, e os reitores das universidades estaduais estiveram, na tarde desta terça-feira, no Tribunal de Justiça (TJ) para falar sobre a suspensão da lei de cotas no estado. De acordo com o secretário, a Procuradoria Geral do Estado vai encaminhar uma petição ao presidente do TJ para incluir informações ao julgamento do mérito da ação sobre as cotas. O recurso solicita que, no caso de a lei ser considerada inconstitucional, as mudanças sejam feitas apenas no vestibular do ano que vem.

- Esperamos que o TJ, se mantiver a decisão no mérito, leve para o próximo vestibular e que a lei não seja extinta. O debate precisa ser ampliado. A extinção pura e simples da Lei de Cotas é um retrocesso na inclusão do ensino superior.

Na segunda-feira, o Órgão Especial do TJ suspendeu os efeitos da lei de cotas, que prevê reserva de vagas nas universidades estaduais. Por 13 votos a 7, os desembargadores concederam liminar favorável à representação por inconstitucionalidade feita pelo deputado estadual Flávio Bolsonaro (PP).

Alexandre Cardoso garante que não haverá alterações no primeiro exame de qualificação das universidades estaduais, que deverá ser realizado no dia 21 de junho.

TJ suspende lei de cotas

O Órgão Especial do Tribunal de Justiça (TJ) do Rio suspendeu, na tarde de segunda-feira, os efeitos da lei de cotas, que prevê reserva de vagas nas universidades estaduais. Por 13 votos a 7, os desembargadores concederam liminar favorável à representação por inconstitucionalidade feita pelo deputado estadual Flávio Bolsonaro (PP). O governo estadual informou que vai recorrer da decisão no Supremo Tribunal Federal (STF).

A Lei 5.346 beneficia alunos negros, indígenas, oriundos da rede pública e portadores de deficiência física, além de filhos de policiais, de bombeiros e de agentes penitenciários. O alvo do deputado, que é advogado e defendeu a ação no Órgão Especial, foi a questão racial.

— A lei é segregadora. Dá privilégio para quem tem pele escura. E o pobre branco, como fica? Tem que valer o mérito — disse o deputado.

Frei Davi, defensor da reserva de vagas desde a implantação da política de cotas em 2003, disse que vai propor seminários sobre o tema na Escola de Magistratura para reverter o processo:

— No Brasil, temos dois grupos: o povo negro e o que se beneficiou do suor dele e não quer sua evolução.

Já o advogado Humberto Adami, do Instituto de Advocacia Racial e Ambiental (Iara), ficou surpreso ao saber da votação:

— Se alguém no movimento (negro) sabia disso, não falou para todo mundo. É um retrocesso. Em outras cinco vezes, apresentamos pareceres de 16 entidades no STF e no TJ, e conseguimos derrubar as ações.

domingo, 24 de maio de 2009

Crescer para aparecer na TV? Eis a questão

Choro de Maisa faz Justiça tirá-la do ar e abre discussão sobre trabalho na infância

Famosa por sua inteligência e humor precoce, Maisa Silva chamou a atenção do Brasil, com suas lágrimas, para os limites do trabalho infantil na TV. No YouTube, o vídeo em que ela aparece chorando com medo de um menino maquiado de monstro no ‘Programa Silvio Santos’, do último dia 10, já soma mais de um milhão de acessos. As cenas em que bate com a cabeça em uma câmera e foge da plateia e do apresentador, sob coro de “medrosa”, provocaram uma reação em cascata de órgãos públicos, como Ministério da Justiça, Ministério Público Federal, Conselho Nacional dos Direitos da Criança e do Adolescente e Juizado da Infância e da Juventude de Osasco, que cassou, sexta-feira, a licença de trabalho que liberava a participação da menina, 7 anos, no ‘Programa Silvio Santos’.

Quem começou cedo como Maisa diz o que precisa ser feito para evitar episódios como esses. A atriz Bruna Marquezine foi descoberta aos 3 anos no programa ‘Gente Inocente’ e aos 6 já atuava em um núcleo dramático em ‘Mulheres Apaixonadas’ (2003), chorando a morte da mãe como Salete. “Na escola, os meninos começaram a chamá-la de chorona e ela passou a não querer ir às aulas. Pedi ajuda das professoras e dizia a Bruna que os meninos, quando gostavam muito de alguém, brincavam assim. Nas ruas ela também estranhava as pessoas chorando ao falar com ela”, lembra Neide Maia, mãe da atriz, que em cena era maltratada pela avó.

Hoje, aos 13 anos, contratada pela TV Globo até outubro de 2009, Bruna não se recorda do que aconteceu: “Eu sempre adorei posar para fotos, filmar, achava tudo divertido”.

Paquita do ‘Xou da Xuxa’ desde os 12 anos, Andréa Sorvetão lembra que não gostava de ser chamada a atenção no palco. “Ficava com raiva quando levava bronca, não entendia a razão, mas depois vi que era para meu crescimento. Maisa tem ‘chips’ a mais, lida com adultos, mas não podemos esquecer que é só uma criança”, opina. Mãe da atriz Carla Diaz, Mara Diaz acompanha de perto a rotina da filha, que aos 3 anos já gravava a novela ‘Chiquititas’ na Argentina. Aos 11, estourou como Khadija, em ‘O Clone’. Hoje, com 18, Carla é contratada da Record. “Em Buenos Aires, havia um controle severo durante as gravações. Um funcionário do Sindicato dos Artistas observava quanto tempo as crianças ficavam no estúdio. Se passasse das seis horas de trabalho, tirava a criança de cena mesmo sem gravar”, conta Mara, que acredita que faltou tato a Silvio Santos. “Ele não podia ter provocado a menina daquele jeito, é uma criança”

PAIS DE MAISA COMPRAM APARTAMENTO

Na Internet, o site freemaisa.info convida os internautas a participar de abaixo-assinado para “libertar Maisa das garras do abuso psicológico”, mas avisa que não tem como objetivo vê-la fora do ar. Até a polêmica, Maisa reinava no SBT. A menina — que começou como caloura de Raul Gil, aos 3 anos — chegou à emissora em outubro de 2007, com salário calculado em R$ 20 mil. De apresentadora do ‘Sábado Animado’ — programa em que apareceu normalmente ontem—, ganhou quadro ao lado do Dono do Baú. O bate-bola entre eles era cômico até que a menina não aguentou e chamou Silvio de “velho horroroso”, enquanto tentava tirar sua peruca no ar. O apresentador respondeu às provocações colocando a menina dentro de uma mala fechada.

Ex-moradora de conjunto habitacional em São José dos Campos, Maisa mudou-se há pouco tempo para um apartamento maior e, no meio do ano, deve mudar-se de vez para São Paulo. Ela fatura alto com merchandising de produtos cosméticos e de limpeza, além da venda de sua boneca.

Juizado fiscaliza horário e escola

No Rio de Janeiro, para que um menor de 16 anos possa trabalhar, é necessário, além da autorização dos pais autenticada, um alvará concedido pelo Juizado de Menores. O órgão solicita à empresa contratante (emissora de TV, por exemplo) as condições em que a criança vai trabalhar, pelo período máximo de 6 horas diárias, e o comprovante de sua matrícula na escola.

Segundo Márcio Mothé, procurador de Justiça da 3ª Câmara Criminal do Tribunal de Justiça e ex-promotor da Vara da Infância e da Juventude, a ação judicial pode tirar Maisa do ar de vez, independentemente da vontade dos pais da apresentadora. “O trabalho infantil ultrapassa a esfera da mãe. O juiz cobra certa responsabilidade e compromisso do contratante”, diz Márcio.

Em 2000, o Juizado de Menores tirou do ar, por um mês, o elenco infantil da novela ‘Laços de Família’, alegando que as crianças participavam de cenas de violência. “Carla ficou arrasada por sair da novela, e comemorou quando pôde voltar a gravar”, relembra Mara Diaz, mãe da atriz. Técnicos, comissários de Justiça e conselheiros tutelares fiscalizam o cumprimento das exigências do Juizado de Menores. “Cabe também à sociedade esse papel porque, pelo Estatuto da Criança e do Adolescente, é dever de todos zelar pela dignidade da criança e do adolescente”, lembra Márcio

Justificar

domingo, 17 de maio de 2009

Movimento dos Sem Namorados reúne cariocas em passeata - Eles querem encontrar a alma gêmea até o Dia dos Namorados

Passeata reúne homens e mulheres em busca da cara-metade.
Movimento nasceu em sites de relacionamento.

Sem medo do rótulo de “encalhados” e munidos de faixas, cartazes e camisetas, os sem-namorados botaram o bloco na rua. Literalmente. Acompanhados pelo Cordão da Bola Preta, cerca de 200 pessoas - de acordo com a Polícia Militar - foram para rua reivindicar um contato mais íntimo, pessoal e, até quem sabe, duradouro.

De acordo com a Meetic, organização do movimento presente em 18 países, essa é a primeira vez que uma passeata como essa acontece no mundo. A "brincadeira" para reunir os solteiros, em função do Dia dos Namorados, começou às 12h, com o público se dispersando já às 13h30. Em São Paulo, o movimento está marcado para começar às 15h, e ocorrerá dentro do Parque do Ibirapuera.

O Movimento dos Sem Namorados possui site na internet e funciona como uma comunidade de relacionamentos, onde os participantes podem procurar parceiros, marcar encontros e tentar um novo amor.

Entre os manifestantes, estava a professora Rita de Cássia de Sá de Almeida, de 41 anos. Ela conta que está solteira há cinco anos, e afirma que quer "voltar à ativa".

"Estou solteiríssima, completamente livre e desimpedida. Vim aproveitar o momento", frisou Rita.

Junto com a amiga Paula Sandra Ribeiro, de 56 anos, divorciada há 11 anos, que é técnica em enfermagem, seguiram animadas em passeata, levando o cartaz "Namoro já!".

"Não tenho medo de ser chamada de encalhada. Vim aqui para ver se encontro alguém. Não sei se vou arrumar namorado", disse Paula.

Viúva procura par perfeito

A fisioterapeuta Silvia Nobre levou cartões com seus contatos para distribuir A fisioterapeuta Silvia Nobre, de 33 anos, segue à frente na passeata. Ela ficou viúva há dois anos e diz que esta foi uma forma divertida de mostrar que está sozinha. Ela é do Amapá, tem três filhos e já é avó. E trouxe 30 cartões com seus contatos para distribuir durante o evento.

"Para quem não sai de madrugada, nem vai sozinha para a balada, a passeata é uma forma engraçada de dizer que estamos querendo encontrar um amor. Já distribuí cinco cartões para possíveis pretendentes", contou a fisioterapeuta, que desfilou à frente do movimento.

Para a universitária Fernanda Novaes, de 21 anos, a passeata é mais uma tentativa de passar o próximo Dia dos Namorados acompanhada.

"Estou sozinha há um ano, o que é muito. Estou completamente encalhada. Estou cadastrada em sites de paquera, mas até agora não apareceu nada. O tempo é curto. Não quero passar o próximo Dia dos Namorados sozinha. Hoje tenho que sair daqui acompanhada de qualquer jeito", disse a estudante.

Mulheres dominam passeata

Embora a gerente de produtos do site organizador do movimento, Luciana Parente, afirme que os homens representam 55% do público que procura os sites de paquera, os espécimes masculinos estavam em número bem inferior na passeata.

Carregando um cartaz que dizia "Cansei de ser sozinho", o administrador Renan Tadeu, de 23 anos, era um dos poucos a assumir a posição de solitário em busca de uma companheira, no meio da passeata. A maioria, como alguns amigos de Renan, preferiram desfilar ao lado do carro da PM, como se estivessem apenas vendo o movimento.

"Estou sozinho desde sempre. Nunca tive namorada. Mas acho que aqui, no meio da passeata, vai ser difícil encontrar alguém. Está muito tumultuado. Não dá muito tempo da gente conhecer alguém", reclamou Renan.

"Elas que não acreditam na gente ou, pior, só pensam em dinheiro", rebatia o também estudante Henrique Reynaldo, 22, um dos solteiros presentes à manifestação.Assistente social, Elaine de Souza, 33, foi outra que atendeu à convocação do site. Cartaz com os dizeres "Cansei de ser sozinho" em punho, ela acalentava esperança de encontrar um namorado na passeata. "Está difícil, por isso resolvi tentar a sorte aqui.""Me recuso a passar o Dia dos Namorados comendo pizza com uma amiga", diz a estudante Fernanda Novaes, 21, uma das organizadoras do movimento

Mas nem só de jovens foi feito o movimento. Yara Pinheiro, uma dona de casa de 64 anos, era das mais animadas."Eu tenho um moreno, mas ele vai dançar, então já estou procurando outro pra colocar no lugar", riu.

De muletas, o aposentado Joaquim de Jesus Cardoso, 66, estava passando pela rua e resolveu "aderir à novidade". Viúvo há oito anos, ele, no entanto, acha que "ainda é cedo para abrir o coração novamente".

Com 30 anos recém-completados e pressionada pela família a arrumar um marido, a projetista Sylvia Tavares está bastante confiante. Tem motivos. “Acostumada” a namorar e solteira desde março, quando terminou um relacionamento de seis anos, cadastrou-se no Par Perfeito ao saber da passeata pelas amigas. Em 15 minutos de acesso, recebeu mensagens de 15 interessados. Aprovou dois, mas um, por morar no Rio Grande do Sul (“muito longe”), acabou descartado. Para o outro, mandou um e-mail informado o interesse em conhecê-lo.

– Ele escreveu no perfil dele “Não quero Barbie. Quero uma mulher normal”, e eu escrevi no meu “Não quero príncipe. Quero um homem de verdade” – empolga-se Sylvia, ex-crítica da busca virtual por namorados. – Não é que estejamos encalhadas. A internet oferece mais chances de conhecermos gente interessante – defende agora.

O que leva um solteiro a sentar-se diante do computador para encontrar o amor de sua vida é, basicamente, a falta de tempo e de oferta de pessoas “interessantes” nos ambientes por ele frequentado.

– Trabalho o dia todo. À noite, é festa com amigos, sempre a mesma galera. Conhecer alguém leva tempo. Na noite, o pessoal bebe, pega o telefone e não liga. Pela internet é mais fácil – dá a dica.

Adepta do mantra “deixo acontecer. Se tiver de ser, vai ser”, a estudante de fonoaudióloga Gisele Mann, 24 anos, sozinha desde novembro, não está no site, mas se juntará aos companheiros de luta.

– Todo mundo quer encontrar a pessoa certa. Ninguém quer ficar sozinho para o resto da vida. Pelo amor de Deus! – deixa escapar.

De acordo com os organizadores da passeata, pelo menos sete novos casais se formaram durante a passeata ou fizeram um primeiro contato - com beijos - para tentar um relacionamento futuro. Se esse encontro foi definitivo, só o tempo dirá.

Mas quem não se deu bem na passeata ainda terá uma segunda chance: neste sábado (16), os líderes do MSN farão um blitz, a partir das 23h, pelos bares da Lapa, no Centro do Rio, filmando cantadas para serem cadastradas na rede. Se depois disso tudo ainda continuar sozinho, a solução será apelar para um jeitinho mais tradicional e pedir a interferência divina de Santo Antônio, no dia 13 de junho.